quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Capítulo 3: Noite entre sonhos e pesadelos

A queimação era tanta que mal conseguia respirar. Agarrava com firmeza o lençol da cama de hospital, enquanto sentia a dor lhe consumir toda a região das costas e seu coração pulsar de maneira intensa ao tentar gritar, debatendo-se com o corpo em uma tentativa fútil de cessar todo aquele sofrimento. Tudo que conseguia era deixar com que as lágrimas transbordassem seus olhos, escorrendo por sua face. Aquilo era terrível, como se cada gota de seu sangue estivesse envenenada com aquele ardor, espalhando a doença por cada centímetro de sua carne. Era câncer pancreático, em estado terminal.

A menina gritava desesperada, acordando alguns vizinhos e, é claro, sua tia. Com a luz do quarto agora acesa, fora acudida pela mulher que passava a chacoalhá-la freneticamente, fazendo-a abrir os olhos que ainda choravam em angústia. A dor finalmente cessava ao despertar da jovem, embora seu corpo tremesse por fraqueza, agarrando-se à tia que retribuía com um abraço.

Me perdoe... foi apenas um pesadelo. - May tentava conter os soluços que ultrapassavam sua garganta, e também se recuperar daquela sensação de mal-estar, medo, e morte.

Se eu soubesse que se afetaria tanto, jamais teria contado a você sobre aquilo. - A tia falava de um jeito um tanto ríspido, porém, demonstrava preocupação apenas pelo modo que envolvia a única sobrinha nos braços.

Não... está tudo bem. Me perdoe. - Aos poucos, May era capaz de se recompor. Ia se afastando da tutora enquanto levava as mãos ao rosto molhado, tentando secar as lágrimas que ainda deslizavam por sua face. - Não irá acontecer de novo.

É o que você tem dito nos últimos três dias. - A mulher também vinha por se afastar, levando uma das mãos sobre a testa da sobrinha para se certificar de que a mesma não se encontrava com febre. - Sorte sua que já está de férias. Mesmo assim, trate de ir dormir e não pense mais nisso. Caso contrário, te darei um remédio para dormir.

Eu já entendi. - May puxou o lençol já quase caído de sobre a cama para junto do próprio corpo, vendo a tia ir até a porta do quarto e a desejando um último “boa noite”, logo retribuído também pela jovem. A luz era apagada e a porta do cômodo se fechava, deixando May novamente envolvida na escuridão de seu quarto, que era interrompida somente por um insignificante feixe de luz que transpassava pela janela.

Deitou com a cabeça sobre o travesseiro, colocando-se de lado enquanto voltava a fechar os olhos. A tremedeira já tinha passado e o coração retomado o ritmo que lhe era natural. Porém, sua mente ainda se mantinha agitada, refletindo sobre as experiências que andava vivenciando nas últimas noites.

Sua avó era uma pessoa tão boa e carinhosa, sempre prezando por um sorriso alheio. Fazia de tudo para todos, conselheira e amiga, pronta em qualquer momento a dar um abraço caloroso a alguém que tanto precisasse. Tão preocupada os com demais que jamais deixara de sorrir, mesmo após saber que tinha poucos dias de vida.

May sentiu as lágrimas quentes lhe descerem pela face mais uma vez, umedecendo o travesseiro. Queria saber o que sua avó havia feito para merecer um fim tão cruel, e onde estava Deus para permitir tamanha injustiça.

Como a vida humana era frágil perante aquele destino assassino. Talvez a própria jovem seria o cadável do dia seguinte, vítima de alguma doença, acidente ou homicídio. De fato, o futuro era imprevisível e assustador. E quando sua hora chegasse, o que seria dela?

Envolveu o próprio corpo com os braços, encolhendo-se um pouco ao imaginar aquela dor novamente, tal sensação de morte. Por entre choros, recordações, e medo, a jovem adormecia, descansando até o início da manhã seguinte, sendo acordada pelo despertador que anunciava às 9:00hs.

Levantou e foi tomar um banho, lavando o corpo de mais um pesadelo que provavelmente retornaria ao anoitecer. Foi ao supermercado a pedido da tia, ajudou-a com o almoço e as demais tarefas da casa, assim como com o jantar. Mesmo de férias, May não aproveitava muito, quase não tinha contatos na cidade. Era em dias como aquele que ia visitar sua avó, mas agora não havia mais tal possibilidade.

Logo escurecia. May foi para seu quarto e finalizava seu dia sem grandes feitos, lendo algumas páginas de um livro qualquer. Adormeceu com o iniciar da madrugada.

***

Estava agora próxima à janela, passando a ver seu próprio quarto, mal iluminado pelo pequeno feixe de luz que lhe atingia levemente a face com a iluminação da esplendorosa lua cheia que brilhava no céu. O próprio corpo da jovem parecia cintilar, trazendo-a uma sensação de conforto enquanto fitava o jardim de sua casa que lá fora havia. O orvalho valorizava o contraste das flores em conjunto com a iluminação da lua, criando uma paisagem que dançava em sutileza juntamente com o vento gentil. Tudo não passava de um sonho, é claro, seu verdadeiro jardim estava longe de ser tão bonito quanto aquele era. May estava ciente daquilo, porém, sorria para seu próprio reflexo projetado no vidro da janela, tal que a separava daquele belo ambiente. Um sonho agradável, muito diferente dos últimos que andava tendo.

Eis então que virou o rosto um pouco para o lado, fitando a cama que parecia também possuir um brilho próprio, destacando-se dentre toda aquela vasta escuridão. Viu o lençol levemente caído para o lado, chegando a tocar o chão, mas a maior parte dele se mantinha ainda sobre a cama e sobre algo. O meigo sorriso de May ia desaparecendo conforme cada passo era dado pela garota em direção a cama, em curiosidade.

Sobre a cama havia um corpo, de olhos abertos e mãos agarradas com força ao lençol, em uma expressão de desespero, pálida e com os lábios tão secos que pareciam prestes a rachar. Era seu próprio corpo que ali se encontrava, a garota May que deitada na cama estava com a região do abdômen dilacerada, de modo que fosse possível se ver parte de suas vísceras, ensanguentando seu delicado pijama branco e também o lençol.

Com tal visão começou a gritar, afastando-o daquela assombração enquanto levava ambas as mãos à cabeça. Tremia. Se seu corpo estava ali, então sua alma!?... queria sair daquele pesadelo terrível, queria que todo aquele tormento desaparecesse, vindo logo por chorar em aflição. Correu para a porta de seu quarto, tentando abri-la em um movimento em vão, estava trancada. Bateu forte contra ela pedindo por socorro, mas não houve resposta alguma. May se sentia ainda mais amedrontada. Precisava de ajuda para ser libertada daquela sensação de morte.

Eis então que ouvia o soar de uma voz através da janela, ecoando, e preenchendo cada canto vazio daquele quarto. Vinha na forma de uma canção serena, pronunciada por um homem, em palavras que a jovem não era capaz de compreender.

May se encostou na parede, fechando os olhos por um breve instante, deixando-se invadir por aquele belo cantar. Era como se sentisse todos aqueles temores se esvaindo através de cada rima feita por aquela melodia, acalmando seu coração tão assustado. Aos poucos foi conseguindo se acalmar. Tudo não passava de mais um sonho ruim afinal.

Foi abrindo os olhos com calma, e desta vez, tudo que via era o teto de seu quarto. Estava deitada sobre a cama, enrolada ao lençol e tendo também o próprio corpo um tanto molhado devido ao suor. Havia conseguido despertar de mais um pesadelo, desta vez, controlando seu corpo físico de modo que não acordasse sua tia e os vizinhos.

Mas mesmo que a menina estivesse aparentemente de volta a sua realidade, ainda podia ouvir aquele cantar, tal que era curiosamente capaz de reverter as sensações de morte sofridas por May, para de vida.

Ela se sentia revigorada e sem quaisquer temores, passando a dar um sorriso bastante bobo para toda aquela escuridão que a cercava. Levantou-se da cama, indo até a janela e assim a abrindo, via a frente seu jardim com poucas flores e um tanto mal-cuidado. A voz vinha além dele, e além do insignificante portão que limitava a casa da jovem.

Aquela canção era bela demais para pertencer a aquele mundo. May não possuia dúvidas de que estava presa em mais um sonho. Pulou a janela, sentindo os pés descalços tocarem a grama um tanto seca do jardim. Foi seguindo por entre a baixa vegetação até pular também o portão, que era um pouco menor de onde até a cintura da menina alcançava.

Aquela voz era sua guia e a lua cheia iluminava seu caminho. Andava somente um quarteirão, alcançando uma mureta de pedra que cercava várias árvores em seu interior, decoradas naturalmente com flores rosadas e vermelhas. O vento batia sobre elas, fazendo com que seus finos galhos se agitassem. O som do farfalhar das folhas também era lindo.

Finalmente, foi possível para May avistar o autor de tal canção. Encostado sobre a mureta estava um sujeito alto, de cabelos negros e uma aparência muito bonita. Parecia que ele dava um último toque especial àquela paisagem que mais parecia uma pintura. Era o mesmo homem que May havia conversado no dia do velório de sua avó, Dnieper Ukraynn.

Os olhos castanhos da menina ficavam vidrados nele e seus ouvidos envolvidos a aquela canção que cessava por fim. O homem tinha ambas as mãos levadas aos bolsos da calça, sentindo por um momento o agradável vento lhe atingir a face, conservando os olhos fechados até aquele instante, vindo então a abrí-los e de imediato fitar a jovem, moldando os próprios lábios em um sorriso encantador. - Tem tido problemas para dormir ultimamente, senhorita?

May piscou os olhos algumas vezes, ficando imóvel e sem possuir qualquer reação inicial. Começava a sentir o frio lhe invadir o corpo através do seu pijama de tecido bastante fino. Não podia acreditar no que havia acabado de fazer: pular a janela e o portão de sua própria casa, em busca de uma voz tão maravilhosa que a fizera acreditar que ainda estava sonhando. Dnieper também parecia fazer deduções bastante precisas. - Como você...

Você ainda está de pijama. - O sujeito riu de uma maneira divertida, mas também gentil, cortando assim a pergunta de May já com uma resposta.

A garota ficou com o rosto inteiro vermelho, totalmente encabulada com a situação em que ela mesma havia se colocado. Como poderia explicar que fugira de casa apenas para poder ouvir mais de perto a voz tão bela que ele possuía? May abaixou a cabeça, fitando o chão enquanto abraçava de leve o próprio corpo já incomodado pelo frio. Tentava pensar em alguma coisa que pudesse dizer.

Dnieper então passou a se aproximar dela lentamente, retirando o próprio sobretudo e o colocando sobre os ombros da pequenina. Ficava tão grande para ela que parte daquela veste chegava a tocar o chão. - Aqui está. Não é bom que você fique exposta assim a este vento, pode pegar um resfriado. - Ele voltava a se afastar, mantendo sempre o belo sorriso.

May ficou ainda mais corada. Pensou em recusar tal gentileza, afinal, também não queria que ele pensasse que a jovem estava se deixando levar por sua conversa. Mesmo que não fosse a primeira vez que o via, Dnieper ainda era um estranho para May. Não saber que tipo de homem o tal era a incomodava um pouco, embora ele não demonstrasse qualquer malícia quanto a menina. Talvez, fosse apenas um mero cavalheiro.

Obrigada. - Acabava aceitando o sobretudo dele por fim, não muito pelo frio, mas para esconder o pijama que vestia. Era muito constrangedor estar daquela maneira perante um homem. Aos poucos, May erguia a cabeça ainda tímida, voltando a fitar Ukraynn. Agora era possível ver como ele se vestia por baixo do sobretudo. Usava uma camisa negra, fechada em todos os botões do peito e das mangas, uma calça e um sapato do mesmo tom, sem demais detalhes. - Em que língua o senhor... estava cantando agora a pouco? - Talvez a maior curiosidade que movera a jovem até ali. Da primeira vez notara que ele cantava em francês, não que o idioma lhe fosse fosse muito familiar, apenas o reconhecia pelo término de algumas palavras. Quanto à vez atual, não fazia qualquer idéia. Achava aquilo bastante interessante, uma vez em que ambos os casos, a pronuncia de Dnieper parecia perfeita.

Russo. - O moreno estufava o peito em orgulho, como se tivesse um sincero amor por aquela língua.

May demonstrava sua verdadeira admiração com um largo sorriso, achando também bastante divertido o jeito com que ele se expressara. - Era uma canção muito bonita. Ela é de algum cantor conhecido?

Oh, não. Eu mesmo a inventei agora a pouco. - O homem voltava a rir.

De fato, aquela resposta não era esperada por May, de modo que a jovem ficasse ainda mais admirada. Não acreditava que aquele sujeito possuía tanto talento para criar canções tão lindas de maneira improvisada, e ainda não ser nenhum grande artista. - Você deveria procurar algum produtor musical, senhor. Tenho certeza de que faria muito sucesso e ganharia muito dinheiro!

Dnieper mais uma vez riu, logo esboçando mais um sorriso cativante. De fato parecia estar lisonjeado com as palavras da jovem. - Obrigado senhorita. - Ele então voltava com ambas as mãos ao interior dos bolsos, encostando-se novamente na mureta de pedra. - Mas eu jamais poderia lucrar com dinheiro sobre um dom que me foi presenteado de graça.

May parou para refletir durante alguns instantes, já que nunca havia ouvido algo parecido. Ficou um tanto sem graça. - O senhor fala vários idiomas?

Sim. Acontece que eu viajo bastante. Na verdade nem sou daqui.

Mesmo? - A jovem demonstrava ficar cada vez mais interessada. Achava que nada trazia mais cultura para uma pessoa do que viajar a lugares diferentes. - Vem de algum país?

Rússia. - Dnieper mantinha sempre seu jeito simpático, revelando novamente o orgulho ao falar sobre seu país, aparentemente de origem. - Senhorita, já está tarde, não? E está começando a ficar um pouco mais frio também.

É verdade... - Entretida com a conversa, nem ao menos notara que ela mesma havia trazido o sobretudo para mais perto do peito devido ao vento forte que começava a soprar. Além disso, se sua tia desse conta de seu sumiço, May realmente teria um grande problema. - É melhor eu voltar para a casa.

Eu a acompanharei então, afinal, precisa do sobretudo até chegar em sua casa. E também não é prudente uma garota da sua idade ficar perambulando por aí a essa hora da noite.

Não se incomode senhor, moro na rua de baixo... - Ficava novamente com as bochechas avermelhadas, já que teria que retirar o sobretudo e revelar a ele o seu pijama mais uma vez.

Não me será incomodo algum andar um quarteirão pela sua segurança, senhorita. - Ele se desencostou da mureta, aproximando-se da menina. Parecia mesmo decidido em acompanhá-la.

Tudo bem... - Cedia mesmo que ficasse levemente incomodada mais uma vez, desviando o olhar.

Dnieper pareceu notar o receio que surgira na jovem com a oferta feita por ele, assim mantendo cerca de dois metros de distância dela. Isso deixou May um pouco mais segura. Assim a jovem passava a caminhar pela rua, refazendo o percurso agora em direção a sua casa.

A distância entre os dois permanecia, e May começou a imaginar que tivera uma atitude grosseira perante tanta gentileza já feita pelo homem: não só por lhe acompanhar até em casa, mas também pelo empréstimo do sobretudo, e ainda, por ter despertado a jovem daquele pesadelo terrível.

O que adianta ser bom a vida toda, se no fim o destino não te polpa de uma morte cruel? - A garota abaixou a cabeça, pronunciando alto um de seus pensamentos. - Minha tia disse que minha avó agonizou muito antes de falecer. Ela tinha câncer pancreático, e quando descobriram já era tarde demais para salvá-la... - May sentiu os próprios olhos se encherem de lágrimas, não sabia por que estava dizendo tais coisas para aquele homem afinal. Talvez estivesse desesperada para contar aquilo a alguém.

Dnieper permaneceu calado durante alguns instantes, até voltar a se pronunciar mais uma vez. Sua voz parecia soar em um tom mais sereno. - É por este motivo que você não tem dormido bem?

Tenho pesadelos... sonho que estou no lugar da minha avó momentos antes dela falecer. Fico imaginando que ela morreu muito infeliz. - A menina alcançava o pequeno portão de sua casa, mas apenas cessava com seus passos, permanecendo de cabeça baixa. Dnieper também parou, mantendo a mesma distância de até então. May lentamente se virou, erguendo o rosto para o homem, no intuito de se despedir. Porém, seus olhos estavam cheios de lágrimas, vendo a figura de Dnieper totalmente embaçada. Acabava pronunciando mais um de seus pensamentos. - Quando é que isso vai parar?

O homem finalmente voltava a se aproximar dela. Vulnerável, a jovem passou a chorar. Dnieper apenas se agachou, amenizando um pouco a diferença de altura que havia entre eles. Retirava do bolso um pequeno lenço, entregando-o então à garota. - Conheço um lugar que pode retirar todas as suas dúvidas, senhorita Beauronne. Se este for realmente o seu desejo, ficarei feliz em acompanhá-la até lá.

Pode mesmo? - Ela pegava o lenço oferecido por ele um pouco sem jeito, vindo logo por enxugar as próprias lágrimas. - Que lugar...

Estarei lhe aguardando no mesmo lugar em que nos encontramos hoje, está bem? - Ele voltava a se levantar, sorrindo de maneira doce como se tentasse passar algum ânimo para a menina. - Pode escolher a hora que lhe for mais conveniente.

Depois do almoço... - May ficou um pouco surpresa consigo mesma, já que estava aceitando o convite de alguém que ainda pouco conhecia. Porém, se fosse para cessar com aquelas agonias noturnas e descobrir se sua avó havia de fato morrido em meio ao desespero, achou que valeria a pena correr o risco. - Obrigada, e boa noite senhor Ukraynn. - Ela retirou o sobretudo, entregando-o para o dono juntamente com o lenço.

Pode me chamar apenas de Dnieper. - Voltava com o lenço ao bolso, colocando então seu sobretudo enquanto via a jovem pular o pequeno portão da casa, passando para o jardim. Dava-lhe um aceno, agora também em despedida. - Até amanhã.

Até. - May sorria um pouco sem graça, pulando também a janela de seu quarto. Retribuiu ao aceno, passando a fechar o vidro até vir por chamar o nome do homem. Queria lhe perguntar mais uma coisa. - Dnieper...

Sim? - Ele ainda se mantinha próximo ao portão da casa da jovem, voltando-se para ela ao ser chamado.

Por que você às vezes corta as minhas perguntas?

Ele perdeu levemente o sorriso, como se aquela pergunta tivesse sido repentina demais para prever. Ficou calado durante alguns segundos, talvez enrolando para lhe dar uma resposta. - Porque eu não posso mentir.

May não compreendeu o que ele quis exatamente dizer, de modo que viesse por ficar sem o que responder. Roubando-lhe a vez da pronuncia, Dnieper lhe desejava um último "boa noite", voltando a acenar para a garota. - Boa noite.

Assim então se despediram. O homem se foi e a jovem fechou a janela, aliviada por sua tia não ter descoberto sobre sua pequena fuga. Deitou-se na cama, refletindo por um momento e revivendo os momentos que acabara de passar junto àquela pessoa, e as palavras ditas por ele.

Estava um tanto aflita, e também curiosa sobre o encontro que teria logo ao iniciar da tarde. Mas por todos os atos que o homem fizera até então, May passou a crer que provavelmente ele fosse incapaz de lhe fazer qualquer mal.

Queria até confiar nele, talvez tivesse encontrado um verdadeiro amigo afinal. May se cobriu com o lençol, deitando com o corpo de lado e assim fechando os olhos. Acabou adormecendo logo, finalmente tendo um fim de noite de paz.

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