Alguns postes de luz começavam a falhar, enquanto outros gastavam a maior parte de sua energia para ao menos mantê-la constante. A lua em seu estágio minguante também mal conseguia banhar os asfaltos com o seu brilho, de modo que todos os cantos parecessem abandonados, mergulhados na escuridão. Porém, nada daquilo incomodava o homem que vinha caminhando a passos calmos por entre as ruas obscuras, já que ele próprio parecia fazer parte das sombras e até mesmo gostar disso. Era Dnieper Ukraynn sempre a manter o sorriso.
Não sabia que horas eram, nem lhe fazia diferença saber.
Em meio às trevas, o rapaz também acabou se tornando uma delas.
Mas ele próprio ainda possuía um brilho maior do que a intensidade da própria lua: era o brilho de seus olhos dourados como ouro. Conforme o horizonte era alcançado as ruas pareciam ficar mais obscuras e os postes falhavam com frequência, alguns nem funcionavam mais. O homem continuava a andar em linha reta, como se o seu destino estivesse logo à frente, porém, nunca chegasse.
Fechou os olhos por um breve momento e por entre um curto suspiro começou a cantar. As palavras saltavam de seus lábios, acompanhando um ritmo imaginário enquanto cantarolava para a escuridão.
Prosseguia com a caminhada, deixando-se guiar pela canção que recitava. Não havia ninguém circulando pelas ruas além dele. O céu começava a clarear aos poucos, ficando levemente alaranjado enquanto o sol brilhava ao nascer. A voz de Dnieper preenchia os espaços vazios deixados pelas sombras e os exaustos postes de luz poderiam finalmente descansar. A brisa generosa pelo iniciar da manhã também era louvada pelas pequenas árvores, que se agitavam de maneira suave como se dançassem à melodia do homem.
Eis que seus passos cessavam, calando então a própria voz. Dnieper abria os olhos que se tornavam ainda mais dourados, fitando de imediato os dois rapazes que se encontravam a sua frente. Ambos possuíam cabelos negros, que ganhavam um tom levemente azulado ao serem banhados pelo brilho do sol, e olhos que eram de uma cor tão vermelha quanto sangue.
O menor deles parecia se vestir de maneira mais juvenil do que o outro. Usava uma calça preta justa, presa por um grande cinto e correntes prateadas que davam inúmeras voltas por sua cintura, um paletó de mesmo tom que lhe cobria até os pulsos, deixando somente os dois primeiros botões abertos para mostrar sua veste anterior, uma camisa de um cinza ofusco sem qualquer outro detalhe. Suas mãos eram detalhadas por muitos anéis e pulseiras prateadas que combinaram perfeitamente com a grande variedade de brincos que ele possuía em ambas as orelhas, e com o piercing em forma de argola que se encontrava presa ao lado direito de seu lábio inferior. Aparentava ter por volta de vinte anos e tinha os cabelos bastante bagunçados. Usava uma bota também negra, erguida em uma plataforma que o deixava um pouco mais alto do que realmente era, porém, não tão alto quanto o outro rapaz que o acompanhava. Este já parecia mais velho e formal, vestia-se com um terno preto e uma gravata vermelha, tendo os cabelos levemente puxados para trás. Seus olhos rubros se mantinham atrás de um pequeno óculos de armação prateada. Os dois sujeitos lançavam a Dnieper um olhar intimidador, mas o próprio apenas continuava a sorrir de maneira gentil.
Era então que o rapaz de terno ia com um dos joelhos ao chão, abaixando a cabeça enquanto deixava os cabelos lhe caírem levemente sobre a face. - Ajoelhe-se também, Molise. - Falava para o outro que continuava a lançar a Dnieper um olhar de desagrado. Mas por fim, este de nome Molise cedia, ajoelhando-se também mesmo com total demonstração de relutância.
Eu já disse várias vezes que isso não é necessário. - Dizia Dnieper com seu costumeiro jeito educado, enquanto ele mesmo se curvava um pouco para frente de modo que pudesse cumprimentar aos rapazes. - Boa noite, Reno e Molise Reinbach.
Eles se levantavam, ficando em silêncio por um breve instante até que o mais velho, Reno, voltava-se a pronunciar desta vez se dirigindo a Dnieper. - Lord Ukraynn, eu e meu irmão viemos apenas lhe avisar uma coisa. - Desviou brevemente os olhos para o menor, embora soubesse perfeitamente que este se manteria apenas calado e a encarar o outro de maneira nada amigável. Enfim, Molise só estava ali por mera obrigação, quem daria o recado a Dnieper seria somente Reno mesmo. - Um anjo veio a este mundo, meu senhor. A querubim das letras.
Dnieper perdeu o sorriso por um breve momento, arregalando os olhos em um espanto muito raro de atingir aquele homem tão controlado. Segundos foram necessários para que ele conseguisse se recompor e assim retomar a expressão natural e gentil. - Se puderem fazer a gentileza de achá-la para mim...
Já imaginávamos que iria nos pedir isso. - Disse Reno, por fim vindo a encarar Dnieper mais uma vez. - Faremos o possível para encontrá-la.
Agradeço imensamente. E cuidem dela direitinho para mim, sim? - Inclinava levemente a cabeça para o lado, em uma expressão que parecia ter um tom divertido, mas é claro, carregava consigo seu tom de seriedade também. - Então, tenham um bom dia. - Dava um último cumprimento aos irmãos, voltando a retomar seus passos em linha reta, assim os ultrapassando e dando um último sorriso cordial.
Minutos se passaram e nada mais foi dito. Somente os passos de Dnieper podiam ser ouvidos pelos rapazes, diminuindo seu som à medida que se afastava, até por fim desaparecer. Era então que um irmão se voltava para o outro e Molise vinha por pronunciar suas primeiras palavras depois daquele encontro. - Demônios não existem para ficar atendendo caprichos de caras como aquele. - Cruzava os braços, parecendo realmente revoltado com tal situação.
Você sabe que isso não é verdade. - O mais velho suspirava, enquanto Molise parecia ficar ainda mais emburrado, já que sabia que sua própria fala não era mesmo válida.
Como nossa amada irmã foi se deixar levar por ele?
Eu e você já concordamos em não tocar mais nesse assunto. Não comece de novo. - Reno levava uma das mãos até os cabelos do irmão menor, bagunçando-os mais do que já estavam. - Agora vamos, temos um anjo para capturar.
Não sabia que horas eram, nem lhe fazia diferença saber.
Em meio às trevas, o rapaz também acabou se tornando uma delas.
Mas ele próprio ainda possuía um brilho maior do que a intensidade da própria lua: era o brilho de seus olhos dourados como ouro. Conforme o horizonte era alcançado as ruas pareciam ficar mais obscuras e os postes falhavam com frequência, alguns nem funcionavam mais. O homem continuava a andar em linha reta, como se o seu destino estivesse logo à frente, porém, nunca chegasse.
Fechou os olhos por um breve momento e por entre um curto suspiro começou a cantar. As palavras saltavam de seus lábios, acompanhando um ritmo imaginário enquanto cantarolava para a escuridão.
Prosseguia com a caminhada, deixando-se guiar pela canção que recitava. Não havia ninguém circulando pelas ruas além dele. O céu começava a clarear aos poucos, ficando levemente alaranjado enquanto o sol brilhava ao nascer. A voz de Dnieper preenchia os espaços vazios deixados pelas sombras e os exaustos postes de luz poderiam finalmente descansar. A brisa generosa pelo iniciar da manhã também era louvada pelas pequenas árvores, que se agitavam de maneira suave como se dançassem à melodia do homem.
Eis que seus passos cessavam, calando então a própria voz. Dnieper abria os olhos que se tornavam ainda mais dourados, fitando de imediato os dois rapazes que se encontravam a sua frente. Ambos possuíam cabelos negros, que ganhavam um tom levemente azulado ao serem banhados pelo brilho do sol, e olhos que eram de uma cor tão vermelha quanto sangue.
O menor deles parecia se vestir de maneira mais juvenil do que o outro. Usava uma calça preta justa, presa por um grande cinto e correntes prateadas que davam inúmeras voltas por sua cintura, um paletó de mesmo tom que lhe cobria até os pulsos, deixando somente os dois primeiros botões abertos para mostrar sua veste anterior, uma camisa de um cinza ofusco sem qualquer outro detalhe. Suas mãos eram detalhadas por muitos anéis e pulseiras prateadas que combinaram perfeitamente com a grande variedade de brincos que ele possuía em ambas as orelhas, e com o piercing em forma de argola que se encontrava presa ao lado direito de seu lábio inferior. Aparentava ter por volta de vinte anos e tinha os cabelos bastante bagunçados. Usava uma bota também negra, erguida em uma plataforma que o deixava um pouco mais alto do que realmente era, porém, não tão alto quanto o outro rapaz que o acompanhava. Este já parecia mais velho e formal, vestia-se com um terno preto e uma gravata vermelha, tendo os cabelos levemente puxados para trás. Seus olhos rubros se mantinham atrás de um pequeno óculos de armação prateada. Os dois sujeitos lançavam a Dnieper um olhar intimidador, mas o próprio apenas continuava a sorrir de maneira gentil.
Era então que o rapaz de terno ia com um dos joelhos ao chão, abaixando a cabeça enquanto deixava os cabelos lhe caírem levemente sobre a face. - Ajoelhe-se também, Molise. - Falava para o outro que continuava a lançar a Dnieper um olhar de desagrado. Mas por fim, este de nome Molise cedia, ajoelhando-se também mesmo com total demonstração de relutância.
Eu já disse várias vezes que isso não é necessário. - Dizia Dnieper com seu costumeiro jeito educado, enquanto ele mesmo se curvava um pouco para frente de modo que pudesse cumprimentar aos rapazes. - Boa noite, Reno e Molise Reinbach.
Eles se levantavam, ficando em silêncio por um breve instante até que o mais velho, Reno, voltava-se a pronunciar desta vez se dirigindo a Dnieper. - Lord Ukraynn, eu e meu irmão viemos apenas lhe avisar uma coisa. - Desviou brevemente os olhos para o menor, embora soubesse perfeitamente que este se manteria apenas calado e a encarar o outro de maneira nada amigável. Enfim, Molise só estava ali por mera obrigação, quem daria o recado a Dnieper seria somente Reno mesmo. - Um anjo veio a este mundo, meu senhor. A querubim das letras.
Dnieper perdeu o sorriso por um breve momento, arregalando os olhos em um espanto muito raro de atingir aquele homem tão controlado. Segundos foram necessários para que ele conseguisse se recompor e assim retomar a expressão natural e gentil. - Se puderem fazer a gentileza de achá-la para mim...
Já imaginávamos que iria nos pedir isso. - Disse Reno, por fim vindo a encarar Dnieper mais uma vez. - Faremos o possível para encontrá-la.
Agradeço imensamente. E cuidem dela direitinho para mim, sim? - Inclinava levemente a cabeça para o lado, em uma expressão que parecia ter um tom divertido, mas é claro, carregava consigo seu tom de seriedade também. - Então, tenham um bom dia. - Dava um último cumprimento aos irmãos, voltando a retomar seus passos em linha reta, assim os ultrapassando e dando um último sorriso cordial.
Minutos se passaram e nada mais foi dito. Somente os passos de Dnieper podiam ser ouvidos pelos rapazes, diminuindo seu som à medida que se afastava, até por fim desaparecer. Era então que um irmão se voltava para o outro e Molise vinha por pronunciar suas primeiras palavras depois daquele encontro. - Demônios não existem para ficar atendendo caprichos de caras como aquele. - Cruzava os braços, parecendo realmente revoltado com tal situação.
Você sabe que isso não é verdade. - O mais velho suspirava, enquanto Molise parecia ficar ainda mais emburrado, já que sabia que sua própria fala não era mesmo válida.
Como nossa amada irmã foi se deixar levar por ele?
Eu e você já concordamos em não tocar mais nesse assunto. Não comece de novo. - Reno levava uma das mãos até os cabelos do irmão menor, bagunçando-os mais do que já estavam. - Agora vamos, temos um anjo para capturar.


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