<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8649930379859313991</id><updated>2011-09-12T09:50:48.580-07:00</updated><title type='text'>Fruit of love</title><subtitle type='html'>I always loved the night and now you offer me eternal
darkness.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://fruitoflove.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8649930379859313991/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fruitoflove.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Fuinha Gallowmere</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03300786190501774507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-CckYqr912H4/TmbGmmgr1RI/AAAAAAAAAJQ/dbamne1yNLs/s220/avatar17.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>7</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8649930379859313991.post-7410663106702556037</id><published>2011-02-23T08:16:00.001-08:00</published><updated>2011-07-07T18:15:27.562-07:00</updated><title type='text'>Capítulo 7: Pingos de chuva e lágrimas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Um feixe de luz transpassava pela janela do quarto, iluminando o ambiente pouco a pouco conforme o raiar do dia, até o sono do louro ser incomodado e assim vir a despertar. Abriu os olhos devagar enquanto se levantava, havia dormido tarde na noite anterior, então ainda sentia os efeitos da sonolência. Seus cabelos dourados se encontravam bastante bagunçados. Bocejou, esfregando os olhos a caminho do banheiro. Lavou o rosto e se fitou brevemente no espelho. Imaginava o que poderia fazer para o café da manhã.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Foi para a cozinha a passos lentos. Ao abrir a geladeira, deu-se conta que não tinha muitos suprimentos, anotando mentalmente que precisava ir ao mercado ainda naquele dia. Pão com geléia de amora lhe era suficiente, e assim sua refeição matinal fora preparada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Sua cozinha, embora pequena, era aconchegante. A bancada se prolongava até um dos cantos, contendo sobre ela a cafeteira, o microondas e algumas louças que tinham sido lavadas no dia anterior. Próximos, estavam a pia e o fogão de quatro bocas, do outro lado havia a geladeira. O azulejo branco era decorado com alguns detalhes em rubro, que combinavam perfeitamente com a pintura de um tom vermelho fosco que se estendia até o teto. Era uma cozinha modesta, mas ideal para Lawrence que morava sozinho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Comeu as últimas fatias de pão que continham no pacote, guardando o que sobrara da geléia. Ia então tomar um banho, mas ao passar pela sala, viu algo que o fez parar para refletir por alguns instantes. Quase esquecera o motivo pelo qual tivera ido dormir tão tarde: um de seus livros de capa negra, aquele que ainda se encontrava aberto sobre a escrivaninha. As últimas palavras ali escritas eram: &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;“Mas ela possuía um grande pecado, aquele que lhe impedia de sorrir”&lt;/span&gt;, e mesmo que Lawrence tivesse pensado durante horas, nada além daquilo havia progredido. “O grande pecado da jovem”... pensara em várias possibilidades, mas nenhuma que lhe fosse realmente convincente para escrever no papel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Por fim, o psicólogo despertava de seus devaneios, assim voltando ao rumo anterior, indo ao banheiro para tomar banho, fazendo-o em pouco tempo. Vestindo agora uma calça comprida azul marinho e uma camiseta branca sem muitos detalhes, o rapaz estava pronto para sair. Colocou os sapatos, pegou sua carteira, estava com um estilo um pouco mais descontraído do qual costumava ser visto normalmente. Iria apenas ao mercado afinal, e talvez almoçasse em algum estabelecimento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Descendo com o elevador até o estacionamento do prédio, entrou em seu carro, dava a partida e assim saia em direção ao local que programara. Seus minutos seguintes se resumiram em comprar os alimentos necessários para se manter durante aquela semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Dentro de pouco menos que uma hora, o homem já estava colocando as compras no porta-malas de seu carro e assim partira com ele para fora do estacionamento do mercado. Tendo se alimentado de apenas algumas fatias de pão no café da manhã, Lawrence começava a sentir novamente os efeitos da fome, parando para almoçar em um dos restaurantes centrais da cidade. Escolheu um prato com uma refeição simples, acompanhado por um copo de refrigerante. Sentava-se em uma das últimas mesas. Sozinho, comia calado, interagindo apenas com seus próprios pensamentos. Suas férias estavam sendo realmente tediosas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Lawrence não tinha muitos amigos na cidade, a maioria de seus colegas de trabalho eram casados, ou possuíam outros compromissos que os impedissem de aceitar um convite de acompanhar o louro até uma lanchonete, ou em qualquer outro passeio que fosse.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; Era certo que às vezes se sentia um tanto solitário, mas também já estava bastante familiarizado com aquela sensação. Com calma, terminava de almoçar, abandonando o prato sobre a mesa e indo pagar no caixa o valor referente àquela refeição. Tendo assim o feito, voltou para o carro, retornando para o próprio apartamento. Pegou as compras e subiu até seu andar pelo elevador.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Ao ter todos os alimentos guardados, Lawrence veio por se deitar no sofá. Pelo tédio, acabou adormecendo novamente. Depois de algumas horas o louro despertou, lamentando, pois imaginou que provavelmente teria bastante dificuldade para dormir quando a noite chegasse. O tempo parecia um pouco mais escuro, mesmo que o sol já houvesse se posto, muitas nuvens fechavam o céu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;O que poderia fazer para tornar seu dia mais útil? Ficou a refletir durante alguns minutos, até desviar os olhos para o livro &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;de capa negra&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;, aquele ainda aberto sobre a escrivaninha e que continha as últimas palavras: &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;“Mas ela possuía um grande pecado, aquele que lhe impedia de sorrir”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Não conseguiria escrever nada além de tal frase caso não visse novamente a menina da igreja. Lawrence se levantou do sofá, decidido a ir à missa daquele dia, mesmo depois de olhar no relógio e constatar que faltavam cerca de alguns minutos para a cerimônia ter início. Trocou de roupa, colocando vestes mais formais, seu terno negro e uma gravata de um verde claro. Lavou o rosto, penteando os cabelos sem grande dedicação. Com a ameaça evidente de chuva, decidiu ir de carro, pegando também um guarda-chuva.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Embora considerasse sua própria fé bastante fiel, ir à igreja não lhe era um costume frequente, fazendo-o apenas quando se sentia triste ou desanimado, como estava no dia anterior. Aquela era uma das primeiras vezes que ia por outro motivo: tédio e, principalmente, curiosidade. Sentia-se cada vez mais intrigado sobre a jovem e o grande pecado que ela dizia possuir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Em pouco tempo, Lawrence já estava estacionando em frente à igreja, descendo do carro enquanto abria o guarda-chuva para se proteger dos primeiros pingos d’água que começavam a cair. O sino que anunciava às 19hs já havia soado, o que significava ao psicólogo que ele perdera o começo da cerimônia.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; Entrou por fim na igreja, fechando o guarda-chuva pouco umedecido. A maioria dos bancos já estavam ocupados pelos fieis, restando para o louro apenas os lugares mais longes do altar. Sentou-se em silêncio, repousando o guarda-chuva no chão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;O coro de crianças se iniciava e o louro buscava com os olhos por aquela garota, Sozh Ukraynn.  Achou-a sentada na primeira fileira, mas por estar muito atrás dela, não era possível para Law ver o rosto da menina, ou ainda que roupas ela vestia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Os minutos seguintes prosseguiram com o cantar das crianças, finalizado quando o padre subiu ao altar. Todos então olharam para ele, inclusive o psicólogo. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Rogai por vossas famílias. &lt;/span&gt;- Dizia o sacerdote com sua voz firme e experiente, que ecoava pelo local. -&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt; Pois uma família assim sempre será, não importam as desavenças.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Lawrence abaixou o olhar, passando a fitar o guarda-chuva ainda ao chão. Passou a lamentar por ter ido à missa justo naquele dia. Se o assunto seria mesmo aquele, era preferível para o louro ter guardado suas próprias intrigas quanto à jovem para outra ocasião. Pensar em “família” era algo realmente muito delicado para Lawrence.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;  &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;(...) Ó pais, que dedicais toda a vida em prol de seus filhos. Perdoais mesmo aqueles que se desviaram da luz: Deus os mostrará o caminho da retidão, mesmo que os demônios insistam em engolfá-los. (...)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Aquilo lhe soava familiar. Sua mãe havia alegado que eram as influências do diabo sobre Lawrence, enquanto s&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;eu pai dizia que não possuía mais filho, o deserdara. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Aos poucos, os pensamentos do louro iam regredindo até alcançarem uma memória antiga, de uma tarde chuvosa. Seus pais colocavam quase todos os pertences do único filho na rua, expulsando-o de seu lar. O garoto louro, que havia acabado de entrar para o 3º ano do colegial, chorava desesperadamente ao tentar recolher suas coisas e dizia aos berros o quanto amava seus pais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;O padre continuava suas preces, porém, a mente de Lawrence se encontrava muito distante dali, sentindo os próprios olhos se encherem de lágrimas, era como se pudesse sentir todo aquele desespero novamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;(...) Irmãos de mesmo sangue, que alimentam a rivalidade entre si, cairás em um ciclo vicioso de amarguras e rancores, gerando um mal irremediável. Somente o perdão vos libertará. (...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;O psicólogo estava tão preocupado em conter as próprias lágrimas que nem ao menos conseguira ouvir com atenção os dizeres seguintes do padre ou o quanto já chovia lá fora, como também não percebera que aquela menina chamada Sozh havia de repente levantado de seu banco. Lawrence apenas a viu quando ela passou ao seu lado, a passos apressados e com os lábios retorcidos em uma expressão infeliz. Seus olhos pareciam estar levemente avermelhados, como se ela estivesse prestes a chorar, assim como Lawrence. Sozh saiu para a chuva, sumindo em segundos da visão do louro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Ele então se levantou também, pegando seu guarda-chuva. Algumas pessoas lhe lançaram um olhar de repreendimento, como se estivessem ofendidas pelo homem se levantar enquanto o padre ainda falava, algo que, estranhamente, notou que não fizeram com a jovem. Enfim, ignorou a todos, partindo rumo a saída, abrindo o guarda-chuva ao alcançar a parte externa da igreja.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; Chovia forte e às vezes os trovões se manifestavam ao longe. Lawrence deu alguns passos até avistar a jovem sentada em um dos bancos do pequeno jardim que ali na igreja havia. A garota estava sozinha, de cabeça baixa e completamente encharcada.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canteiros de flores brancas e amarelas cercavam o jardim, e uma bela fonte de água se localizava no centro: tinha a forma de um anjo feminino, de asas pequenas e rosto infantil.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; Law se aproximou de Sozh, que aparentemente ainda não tinha se dado conta  da presença dele. Muitas gotas d’água deslizavam pelo rosto da menina, até o seu queixo, deixando o rapaz em dúvida se aqueles eram realmente pingos de chuvas, ou se não, lágrimas. Ela se vestia quase da mesma maneira que todas as outras vezes que fora vista pelo psicólogo: usava um belo vestido branco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Em um movimento gentil, o louro segurou o guarda-chuva para mais perto da pequenina, protegendo-a da chuva enquanto permitia a si mesmo de se molhar. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Sei que está um pouco tarde para isso, mas pode ficar com o meu guarda-chuva se quiser.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Sozh pareceu surpresa, erguendo rapidamente o rosto para o homem que tinha ao lado. Seus olhos dourados realmente se encontravam bem avermelhados e cheios de lágrimas também, estas que escapavam, misturando-se com os pingos de chuva que ainda escorriam pelo seu rosto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Novamente ela abaixou o rosto, passando o braço sobre ambos os olhos em uma rápida tentativa de cessar com o fluxo de lágrimas. Em instantes voltava com aquela expressão indiferente.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Não precisa.&lt;/span&gt; - Respondeu a garota.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Lawrence deu um simpático sorriso, já que estava começando a se acostumar com o jeito de Sozh. Quanto às lágrimas que havia acabado de ver nos olhos dela... tinham apenas o deixado ainda mais intrigado. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Posso me sentar?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;... Pode.&lt;/span&gt; - Mesmo que tardou para se pronunciar, a menina dava sua permissão e assim o louro se sentava, segurando o guarda-chuva entre ambos, de modo que abrigasse aos dois da chuva. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;Ficavam em silêncio por um longo momento, escutando as gostas caírem do céu e o vento fazer com que os galhos das árvores se agitassem intensamente. Era então que Lawrence voltava a se pronunciar por fim, desta vez em um tom bastante sereno. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Você estava chorando agora a pouco, não estava?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;... Por que acha isso?&lt;/span&gt; - A menina tentou parecer firme em sua resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Porque seus olhos estão bem avermelhados ainda.&lt;/span&gt; - Lawrence se voltou para ela, mantendo sempre a expressão gentil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;... Os seus também estão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;O sorriso do louro veio por se suavizar naquele mesmo instante, afinal, tinha tido mais um de seus argumentos derrubados pela jovem. Tentou disfarçar com um novo sorriso forçado, logo ignorando aquele último comentário feito por Sozh.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Onde estão os seus pais? &lt;/span&gt;- Law indagava em um tom bondoso, enquanto tentava descobrir de uma maneira mais discreta o motivo pelo qual ela chorava. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Eu não tenho pais.&lt;/span&gt; - Respondeu a menina, seca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Você não sabe onde eles estão?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Eu não tenho pais.&lt;/span&gt; - Repetiu ela mais uma vez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Lawrence imaginou que acabaria a aborrecendo ainda mais caso continuasse insistindo em fazer tal pergunta, por isso, tentou mudar um pouco sua questão, mesmo que ainda mantivesse o mesmo foco. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Você tem família?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Sozh abaixou a cabeça, fitando os próprios pés por um instante. Tardou um pouco, mas acabou lhe respondendo. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Tenho dois irmãos mais velhos...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Fora impossível para o psicólogo deixar de se sentir satisfeito naquele momento, já que finalmente tinha conseguido com que a jovem ao menos começasse a ceder às perguntas. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Você tem um bom relacionamento com eles?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Novamente, a resposta demorava a ser pronunciada. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;... Apenas com um...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;E com o outro?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;A pequenina abaixou ainda mais a cabeça, deixando com que os cabelos lhe caíssem parcialmente sobre os olhos. Pela primeira vez, sua voz vinha por soar triste e receosa. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Ele... quer me matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Ao ouvir tais dizeres, Lawrence sentiu a própria expressão de seu rosto paralisar. Aquela havia sido uma resposta realmente inesperada, e pelo tom de sua voz, não pareciam ser palavras exageradas. O psicólogo achou que aquilo deveria ser de fato sério. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;E por que ele quer te matar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Eu fiz algo ruim para ele...&lt;/span&gt; - A garota falava de maneira pausada, como se analisasse com cuidado cada palavra antes de pronunciá-la. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;... Mesmo que a minha intenção tenha sido de apenas protegê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Lawrence mordeu de leve o próprio lábio inferior para impedir que sua próxima pergunta saltasse de seus lábios. Quase a havia questionado se aquilo que Sozh acabara de lhe contar possuía alguma relação com o tal pecado, aquele que intrigava tanto ao psicólogo. Mas tal questão provavelmente soaria muito inconveniente e talvez Sozh voltasse a se tornar reservada. Ambos então ficaram em silêncio, ouvindo o barulho da chuva, que, aliás, já tinha diminuído de modo considerável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Você tem família? &lt;/span&gt;- A menina levantou o rosto, voltando com o olhar para o homem que tinha ao lado, fazendo-lhe a mesma pergunta que a pouco tinha sido dirigida a ela. O louro não respondeu de imediato, deixando apenas seus olhos se encontrarem com os da jovem. Em súbito, era como se aquela lembrança de seus pais tivesse lhe voltado a mente, aquele dia em que mais chorara na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Eu... &lt;/span&gt;- Começava a dizer ele, embora não conseguisse pronunciar nada mais além daquilo. Não compreendia. Tantas outras pessoas já tinham lhe perguntado sobre a família ou até mesmo algo mais específico: seus pais. Lawrence nunca paralisara daquela maneira em que se encontrava agora. Sempre dava uma resposta qualquer e vaga, mas era como se aqueles olhos dourados da garota fizessem com que o psicólogo recordasse de todo sofrimento, como se ela fosse capaz de o hipnotizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozh levou delicadamente a mão até o rosto de Lawrence, tocando-lhe de leve a testa com as pontas dos dedos. De início, o louro sentiu sua própria respiração parar, enquanto seus olhos continuaram virados nos dela e seu coração disparava. Mas então, lentamente, começou a sentir um calor lhe invadir o peito, que parecia dissolvesse cada mágoa que ali havia. Paz: a palavra que melhor descrevia a sensação ali sentida pelo homem. Seu coração batia em um ritmo tranquilo. Todo o desespero de sua lembrança, o rancor de seus pais que era alimentado durante anos, amenizavam-se aos poucos. Os olhos azuis de Law se encheram de novas lágrimas, mas sua respiração voltava serena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que soava o sino das 20 horas, fazendo com que o coração do louro mais uma vez batesse rapidamente, agora em surpresa. Afastando-se um pouco da jovem, ela retirou a mão de sobre a testa do homem. Era como se ele tivesse acabado de despertar de um transe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas começavam a sair da igreja. Lawrence se levantou, mantendo-se próximo a menina de modo que o guarda-chuva ainda pudesse proteger a ambos. Tentava se recompor, mas seus olhos ainda estavam cheios de lágrimas. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Bom... é melhor eu ir... &lt;/span&gt;- O psicólogo respirou fundo, voltando-se para a jovem por fim. Porém, ela estava de cabeça baixa. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;... Fique com o meu guarda-chuva. &lt;/span&gt;- Disse a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozh ergueu um pouco o rosto e voltou a fitá-lo. Pareceu um pouco surpresa. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Não precisa...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O louro sorriu mais controlado, embora ainda lutasse para não deixar com que nenhuma lágrima lhe transbordasse os olhos, e para dissimular naturalidade. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Claro que precisa! Caso contrário você pode acabar pegando um resfriado.&lt;/span&gt; - Estendia o guarda-chuva para Sozh, oferecendo-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De início ela pareceu hesitar, mas acabou aceitando ao pegar o cabo do guarda-chuva e o trazendo para mais perto de si. -&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt; ...Obrigada. Eu o devolverei assim que possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se preocupe com isso, Lady Ukraynn. &lt;/span&gt;- Lawrence foi se afastando, sentindo alguns pingos de água voltarem a lhe atingir. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Cuide-se e até logo. &lt;/span&gt;- Deu então um último aceno para ela. Sozh, que se manteve ali sentada no banco da praça, retribuiu ao aceno, um pouco sem jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lawrence entrou no carro e partiu. Deu um longo suspiro mais uma vez. Logo que virou a primeira esquina, sentiu as lágrimas começarem a deslizar por seu rosto, chorando de maneira descontrolada, sem nem ao menos saber ao certo o motivo. Mal conseguia ver o percurso de seu carro, levando alguns minutos a mais que o costume para fazer o trajeto até o apartamento. Entrou direto no estacionamento do prédio, manobrando o carro até sua vaga, assim o desligando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegava um lenço que havia no porta-luvas, tentando cessar o choro com ele, mas era em vão.  Porém, a cada lágrima que escapava de seus olhos, o psicólogo se sentia mais aliviado, como se toda a sua agonia de um traumatizante passado estivesse sendo lavado por seu choro. Minutos se passaram até que suas lágrimas foram por fim controladas. Estava em súbito predisposto, tranquilo e estranhamente, feliz. Não compreendia o que havia acabado de lhe acontecer, apenas sabia que todas as sensações de mágoa e rancor tinham desaparecido completamente do interior de seu coração.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8649930379859313991-7410663106702556037?l=fruitoflove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fruitoflove.blogspot.com/feeds/7410663106702556037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fruitoflove.blogspot.com/2011/02/capitulo-7.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8649930379859313991/posts/default/7410663106702556037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8649930379859313991/posts/default/7410663106702556037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fruitoflove.blogspot.com/2011/02/capitulo-7.html' title='Capítulo 7: Pingos de chuva e lágrimas'/><author><name>Fuinha Gallowmere</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03300786190501774507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-CckYqr912H4/TmbGmmgr1RI/AAAAAAAAAJQ/dbamne1yNLs/s220/avatar17.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8649930379859313991.post-9211197784484400439</id><published>2010-12-15T17:59:00.000-08:00</published><updated>2011-02-26T18:36:12.341-08:00</updated><title type='text'>Capítulo 6: Primeiros parágrafos de uma nova história</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify; color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;"&gt;A água quente do chuveiro lhe escorria pelo corpo, molhando também os lisos cabelos louros e seu rosto que conservava os olhos fechados. Ficava ali por vários minutos, refletindo enquanto respirava calmamente, no intuito de reunir tranquilidade que lhe dispunha para fazer o que precisava ainda naquele fim de tarde. O vapor invadia todo banheiro, embaçando o vidro que agora refletia apenas uma imagem turva do homem despido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinha por abrir os olhos azuis ao desligar o chuveiro, deixando com que suas mãos tateassem por cima do box em busca de uma toalha. Após encontrá-la, levou-a aos cabelos para retirar o excesso de água, passando então a enxugar sua face e o restante do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximava-se do espelho embaçado, deslizando a mão sobre sua superfície até ver o próprio reflexo mais nítido. Lawrence Austell ainda se mantinha perdido entre pensamentos. Vestiu roupas sociais, já que pretendia sair. Iria à igreja, porém, antes precisava fazer uma ligação. Suspirou, saindo do banheiro enquanto arrumava a gravata lilás que lhe envolvia o pescoço, dirigindo-se à sala de seu apartamento, que ficava no 16º andar. Ao pegar o celular discava  primeiro os códigos de área, depois o número. Sua ligação era dirigida para o interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Alô?&lt;/span&gt; - Disse a voz de uma senhora, do outro lado da linha. O som de um televisor  ligado era claramente ouvido ao fundo, provavelmente sintonizado em um programa de auditório, com várias vozes, aplausos e, por vezes, alguns risos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Oi... como a senhora está?&lt;/span&gt; - Lawrence se sentava no sofá, fitando por um momento o carpete azul marinho que revestia o chão de sua sala. Parecia escolher suas próprias palavras com bastante cuidado, e também certo receio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Estou bem.&lt;/span&gt; - Era a resposta da mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Que bom... &lt;/span&gt;- Alguns segundos eram tomados pelo silêncio, enquanto o louro novamente tentava selecionar novas palavras para manter a conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Era só isso?&lt;/span&gt; - Ela perguntava ríspida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Não... também liguei para saber como o meu pai está...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Ele está bem. &lt;/span&gt;- A senhora parecia aumentar um pouco o som do televisor. Aquilo fizera com que o coração de Law viesse por disparar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Que bom...&lt;/span&gt; - Ele se afundava um pouco mais no sofá enquanto continuava a fitar o chão. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Então... boa semana... e feliz aniversário mãe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher desligava o telefone sem mais nada dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabisbaixo, Lawrence afastava o celular do próprio ouvido pelo soar do som repetitivo de ligação perdida, deixando o aparelho cair sobre o sofá ao sentir os próprios olhos se encherem de lágrimas. Rapidamente, levou ambas as mãos ao rosto, impedindo que as gotas lhe deslizassem pela face. Seria forte, já que durante toda a vida havia cedido ao choro. Sempre era daquela maneira e provavelmente jamais mudaria, seus pais nunca deixariam de menosprezá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirou fundo, recompondo-se, repreendendo também a si mesmo por ter mais uma vez acreditado que poderia ouvir uma única palavra gentil de sua mãe. Levantou-se do sofá, pegando o celular e o guardando no bolso da calça. Imaginava que o mais sensato naquele momento era esquecer sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocava seu par de sapatos negros e o relógio sobre o pulso esquerdo, saindo do apartamento ao pegar as chaves para trancar a porta de entrada, assim logo o fazendo. O elevador pouco demorou a chegar no 16º andar, partindo para o térreo tendo Lawrence  agora em seu interior. Passava pela recepção, cumprimentando o porteiro com um aceno cordial, logo alcançando a rua bastante movimenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Possuía um bom carro, mas decidira ir a pé para a igreja que não ficava muito longe dali. Com o fim da tarde, o sol começava a se pôr lentamente no horizonte, fazendo com que o vento reagisse com maior intensidade, atingindo seus cabelos louros que agora se agitavam. Aquilo ao menos parecia capaz de amenizar o tom avermelhado que seus olhos ainda continham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não prestava muita atenção nas ruas, já que elas lhe eram muito rotineiras. Chegou à igreja em poucos minutos, esta que conservava as portas abertas para a missa das 19:00 horas que estava prestes a ter início. Lawrence entrou e logo foi se acomodar por entre um dos bancos mais próximos ao altar. Desta vez não estava acompanhado de sua pasta de trabalho ou de seus livros de capa preta, já que recentemente havia entrado de férias do consultório, onde às vezes conseguia pacientes. Aliás, aqueles dias estavam sendo um tanto que tediosos para o jovem psicólogo. Começava ele a achar que ouvir os problemas dos outros o fazia esquecer seus próprios, e se fosse assim, preferia logo voltar ao trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou para o lado, fitando os bancos que havia ao lado do seu. Avistava a jovem de cabelos negros e olhos dourados, já sentada, quieta, olhando para frente de maneira fixa. Conseguia sem grandes esforços se lembrar do nome dela: Sozh Ukraynn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca havia conhecido qualquer garota com uma personalidade tão curiosa. No consultório, costumava atender crianças e adolescentes de idade semelhante a que Sozh aparentava ter. De um modo geral todas sofriam com problemas familiares, ou  em alguns casos, não tinham autoconfiança. Mas aquela menina em particular, parecia ter algo a mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficava perdido novamente entre pensamentos, sem notar que poderia estar tendo uma atitude bastante indelicada, encarando a jovem durante todo aquele momento. Quando se deu conta, disfarçou, mas Sozh não parecia ter tomado conhecimento que estava sendo até então observada, ou então, ignorara Lawrence completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O padre subiu ao altar para dar uma pequena introdução à cerimônia, recebendo a atenção do louro que agora também olhava para frente. Alguns minutos se passaram e o soar do sino que anunciava às 19:00 horas passava a ecoar por todo local. As badaladas faziam com que o padre se calasse, assim como todos os outros presentes. O psicólogo abaixou a cabeça, desviando o olhar novamente para Sozh, mesmo que de maneira mais discreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela continuava imóvel e de olhos fixos no altar. Seu rosto não possuía expressão alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;"Porque estou tão incomodado?"&lt;/span&gt; - Pensava Law consigo mesmo, não sendo capaz de encontrar uma resposta válida para sua própria pergunta. Decidira então esquecer o assunto, deixar aquela jovem com seus próprios problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cerimônia prosseguiu como de costume e cerca de uma hora depois, já estava próxima ao encerramento. Todos se ajoelharam para suas orações finais, e assim era feito pelo psicólogo que juntava suas mãos e as colocava sobre o banco da frente, fechando os olhos. Mesmo com toda aquela situação, o homem rezava por seus pais, desejando-lhes saúde e muitas felicidades, apenas fazendo o pedido de que um dia pudesse ter um bom relacionamento com ambos, e obter suas bênçãos. A missa por fim chegava ao final e as pessoas aos poucos iam se levantando, deixando o local sagrado. Após terminar com sua prece, o louro também se colocava de pé, lançando um último olhar para o banco da jovem. Ela ainda estava ali ajoelhada e rezando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se deixar perder novamente entre pensamentos, Lawrence dera o tempo necessário para Sozh também se levantar. A garota permanecia como se nada fosse capaz de abatê-la, entretanto, o brilho de seus olhos dourados já não existia mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota passava a ir em direção a saída do local, sendo então seguia pelo psicólogo. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Ei... &lt;/span&gt;- Ele chamava pela menina, que parecia não ter lhe dado a mínima atenção, continuando com seus passos por entre os bancos. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Lady Ukraynn... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era então que a pequenina parava, virando-se calmamente para encará-lo. Nada lhe dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Lembra-se de mim? Eu ainda te devo um grande favor.&lt;/span&gt; - O louro sorriu de maneira simpática, mas afinal, o que estava fazendo? Não conseguia compreender a si mesmo, uma vez que havia decidido não mais de deixar intrigar por aquela menina. Mas era fato que ainda estava muito agradecido por ela lhe ter devolvido seu livro, e ainda queria poder retribuí-la de alguma maneira... ou estava apenas usando aquela como uma desculpa fútil para poder saciar sua própria curiosidade em relação a personalidade daquela garota!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;... Não estou interessada.&lt;/span&gt; - Ela se virou, dando mais alguns passos até ser novamente abordada pelo homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Não posso nem ao menos ser seu amigo?&lt;/span&gt;  - Indagava Lawrence em um tom ainda animado e verdadeiro. Buscava manter nos diálogos com Sozh, palavras que normalmente usava com seus jovens pacientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota novamente se virou, encarando o maior de um jeito um pouco mais sério, e de certo modo, ameaçador, algo que fizera com que o homem sentisse um desagradável arrepio lhe percorrer a espinha. Ele não compreendia, pois a expressão da jovem continuava a mesma, porém, era algo presente naqueles olhos dourados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Ter amigos não é algo permitido para uma pecadora como eu.&lt;/span&gt; - Novamente, Sozh voltava com o rosto para frente, reiniciando seus passos em direção a saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lawrence permaneceu imóvel durante um breve instante, com as palavras travadas na garganta, sem possuir qualquer resposta imediata que pudesse parar aquela menina. Era então que notava estar sendo observado pela maioria das pessoas que estavam ali, desde o próprio padre, até os fieis que a pouco tinham terminados com suas orações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Louco...&lt;/span&gt; - Uma senhora ria baixinho, enquanto pronunciara aquela palavra para o psicólogo, em um tom de deboche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu-se ofendido, sem compreender o porquê daquilo. Lançou a todos um olhar de desagrado, como se estivessem o caçoando apenas por conversar com aquela jovem enquanto outros o olhavam assustados. Deixou o local, agora novamente a procura de Sozh que havia perdido de vista por um instante. Localizava-a um pouco mais adiante e assim corria até ela, alcançando-lhe logo a frente de modo que a garota viesse por cessar com seus passos mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Não há pecado que te impeça de ter amigos!&lt;/span&gt; - Estava a repreendendo, e falava aquilo com um tom de seriedade para que pudesse de algum modo convencê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota arregalou os olhos, demonstrando-se surpresa pela fala de Lawrence. Ele ficara satisfeito, uma vez que notara por fim uma expressão na face da jovem. Mas aquilo durara apenas alguns segundos, de modo que ela logo voltasse ao seu jeito sério. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Você não sabe o que está dizendo...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Você não costuma conversar sobre os seus problemas com alguém, não é?&lt;/span&gt; - &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Estava apenas deduzindo para tentar manter o ritmo da conversa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Qual a necessidade disso?&lt;/span&gt; - Aos poucos ela parecia ficar levemente aborrecida, mas para Lawrence já era tarde demais para esquecer o assunto. Como psicólogo, achou que aquela jovem poderia estar passando por sérios problemas e seu ideal de dever o fazia querer ajudá-la de alguma maneira. Como ser humano, sua curiosidade havia sido ainda mais atiçada pelo tal pecado citado pela jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Sou psicólogo, essa é a minha profissão. Conversar sobre seus problemas com outra pessoa é essencial, já que, uma vez que você guarda tudo para si mesma, uma hora ou outra poderá acabar fazendo alguma bobagem...&lt;/span&gt; - Tentava falar de um modo sutil, mas que a jovem pudesse compreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;É mesmo...?&lt;/span&gt; - Ela inclinava levemente a cabeça para o lado, continuando a encará-lo de maneira fixa. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;... &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;E com quem que um psicólogo conversa sobre seus próprios problemas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez, era Lawrence quem ficava surpreso. Em toda a sua vida, jamais havia recebido uma resposta com aquela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem fala, a jovem novamente se pronunciava em seu lugar, mesmo que falando de um tom mais baixo que o anterior. Ela voltava a caminhar, passando por Law enquanto lhe dirigia um primeiro sorriso, mesmo que este não parecia ser alegre. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Uma hora ou outra você poderá acabar fazendo alguma bobagem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz sentiu o arrepio novamente lhe invadir o corpo, sentindo as mãos passarem a tremer de leve. Foram necessários alguns segundos para se recompor. Cerrava os punhos ao se virar mais uma vez para Sozh. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Quando você vem à igreja?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela parou apenas para lhe responder. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Venho todos os dias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Então nos veremos em breve, Lady Ukraynn, tenha uma boa noite.&lt;/span&gt; - Lawrence lhe dava um simpático aceno, forçando a naturalidade, vendo-a retomar com seus passos e assim se afastar, até estar distante o suficiente para o próprio homem seguir seu caminho. Em poucos minutos já subia as ruas de volta para seu apartamento, ainda refletindo sobre aquelas últimas palavras da menina. Não acreditava que seu próprio argumento havia sido derrubado por ela com tanta facilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus pensamentos não desviavam daquele assunto nem mesmo após chegar ao prédio e subir até o 16º andar pelo elevador. Retirava a chave do bolso e destrancava a porta da frente de seu apartamento. Acendia a luz da sala ao entrar, e o vento noturno começava a soprar de leve contra o vidro da janela que ali havia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O louro suspirou, indo para o quarto trocar suas roupas. Colocava vestes mais confortáveis, pois com elas já pretendia passar o resto da noite. Uma calça comprida e blusa de mangas até os punhos, ambas de um tom azul suave. Voltou para a sala, desta vez dirigindo o olhar para sua escrivaninha que ficava ao lado da janela. Sobre ela havia inúmeros livros de capa negra, além de várias canetas espalhadas, uma luminária e os óculos que agora eram pegos e colocados sobre a face de Lawrence, no mesmo instante em que este pagava um dos livros e passava a folheá-lo, relendo alguns trechos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal livro, como os demais que havia ali sobre a escrivaninha, tinha sido escrito pelo próprio psicólogo. Era um romance, redigido com base nos relatos feitos por uma de suas pacientes. Aquele era seu hobbie secreto, algo que nunca havia mostrado para ninguém por não se achar criativo o suficiente para criar uma história própria. Apenas contava de uma maneira narrativa o que lhe era contado, permitindo a sua imaginação somente enfeitar às vezes para dar continuidade com o enredo da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se na cadeira, abandonando o livro enquanto pegava outro, este que era aberto em sua primeira página, que não continha uma única palavra sequer. A mão direita do homem escolhia por uma caneta qualquer, destampando-a e logo a levando de encontro com o papel branco, porém, não os encostava durante vários minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Law então buscava por outro papel, um solto, para mero rascunho. Nele, escrevia em letras de forma e separadas, um nome completo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;S O Z H U K R A Y N N&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refletia, deixando-se invadir por alguma idéia ao tentar organizar aquelas letras para formar um novo nome. Um anagrama. Fazia isso para disfarçar o nome das pessoas que se baseava para criar seus romances, mas ao menos não lhes tirar o mérito. Depois de um tempo considerável, conseguia organizá-las até forma um que lhe agradasse: Naru H. Kysonz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltava então para o livro, deixando a caneta finalmente deslizar pelo papel, formando um rastro em tinta preta. Ia organizando as palavras mentalmente e as marcava para sempre naquele livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;“Os prédios da cidade pareciam competir para ver qual deles alcançaria os céus. Ao iniciar da manhã, o sol se escondia por detrás das nuvens, o vento parecia cansado, carregado. Com tanta energia, o movimento da metrópole jamais cessaria: ele duraria até o anoitecer e do anoitecer até o dia raiar novamente. Incontáveis carros iam e vinham, circulando pelas vias. Era segunda-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentada à beira de um alto viaduto estava uma jovem garota, Naru H. Kysonz. Ela possuía cabelos negros e curtos, pele de um branco suave, rosto de menina tão delicado quanto porcelana. Mas não sorria, seus olhos amarelos analisavam a cidade agitada. Naru colocou uma curta madeixa de seus cabelos por trás da orelha e ajeitou a mochila escolar sobre as costas, os carros passavam e ninguém parecia sequer notar a presença dela. Em meio a tanta correria, a cidade não teria tempo de dar atenção a aquela pequena garotinha”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Lembrou-se da mulher que havia lhe chamado de “louco” sem motivo, imaginando que todas as pessoas daquela sua cidade descrita eram tão insensíveis quanto ela. Mais uma vez, ficava perdido entre pensamentos, sem mais saber o que escrever. Minutos se passaram até a caneta tocar o papel novamente em uma única frase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;“Mas ela possuía um grande pecado, aquele que lhe impedia de sorrir.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podia mais prosseguir, uma vez que seus pensamentos ali terminavam. "Um pecado que impedisse a jovem de sorrir"... Sim, com certeza aquela lhe daria uma ótima história.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8649930379859313991-9211197784484400439?l=fruitoflove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fruitoflove.blogspot.com/feeds/9211197784484400439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fruitoflove.blogspot.com/2010/12/capitulo-6.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8649930379859313991/posts/default/9211197784484400439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8649930379859313991/posts/default/9211197784484400439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fruitoflove.blogspot.com/2010/12/capitulo-6.html' title='Capítulo 6: Primeiros parágrafos de uma nova história'/><author><name>Fuinha Gallowmere</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03300786190501774507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-CckYqr912H4/TmbGmmgr1RI/AAAAAAAAAJQ/dbamne1yNLs/s220/avatar17.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8649930379859313991.post-3459431516300281850</id><published>2010-12-12T15:46:00.001-08:00</published><updated>2011-01-07T11:19:55.442-08:00</updated><title type='text'>Capítulo 5: Ordem dada na forma de um pedido</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Alguns postes de luz começavam a falhar, enquanto outros gastavam a maior parte de sua energia para ao menos mantê-la constante. A lua em seu estágio  minguante também mal conseguia banhar os asfaltos com o seu  brilho, de modo que todos os cantos parecessem abandonados, mergulhados na escuridão.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; Porém,  nada daquilo incomodava o homem que vinha caminhando a  passos calmos por entre as ruas obscuras, já que ele próprio parecia fazer parte  das sombras e até mesmo gostar disso. Era Dnieper Ukraynn sempre a manter o sorriso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Não sabia que horas eram, nem lhe fazia diferença saber.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Em meio às trevas, o rapaz também acabou se tornando uma delas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Mas  ele próprio ainda possuía um brilho maior do que a intensidade da própria lua: era o brilho de seus olhos dourados como ouro. Conforme o horizonte era alcançado  as ruas pareciam ficar mais obscuras e os postes falhavam com  frequência, alguns nem funcionavam mais. O homem continuava a andar em linha reta, como  se o seu destino estivesse logo à frente, porém, nunca chegasse.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Fechou os olhos por um breve momento e por entre um curto suspiro começou a cantar.&lt;/span&gt;  &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;As palavras saltavam de seus lábios, acompanhando um ritmo imaginário enquanto cantarolava para a escuridão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Prosseguia com a  caminhada, deixando-se guiar pela canção que recitava. N&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;ão  havia ninguém circulando pelas ruas além dele.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; O  céu começava a clarear aos poucos, ficando levemente alaranjado enquanto o sol brilhava ao nascer. A&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; voz de Dnieper preenchia os espaços vazios deixados  pelas sombras e os &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;exaustos &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;postes de luz poderiam  finalmente descansar.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; A brisa generosa pelo iniciar da manhã também era louvada pelas pequenas árvores, que se agitavam de maneira suave como se dançassem à melodia do homem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Eis que seus passos cessavam, calando então a própria voz. Dnieper abria os olhos que se tornavam ainda mais dourados, fitando de imediato os dois rapazes que se encontravam a sua frente. Ambos possuíam cabelos negros, que ganhavam um tom levemente azulado ao serem banhados pelo brilho do sol, e olhos que eram de uma cor tão vermelha quanto sangue.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;O menor deles  parecia se vestir de maneira mais juvenil do que o outro. Usava uma calça preta justa, presa  por um grande cinto e correntes prateadas que davam inúmeras voltas por  sua cintura, um paletó de mesmo tom que lhe cobria até os  pulsos, deixando somente os dois primeiros botões abertos para mostrar  sua veste anterior, uma camisa de um cinza ofusco sem qualquer outro  detalhe. Suas mãos eram detalhadas por muitos anéis e pulseiras prateadas que  combinaram perfeitamente com a grande variedade de brincos que ele possuía em  ambas as orelhas, e com o  piercing em forma de argola que se encontrava  presa ao lado direito de seu lábio inferior.  Aparentava ter por volta de vinte anos e tinha os cabelos bastante bagunçados. Usava uma bota também  negra, erguida em uma plataforma que o deixava  um pouco mais alto  do que realmente era, porém, não tão alto quanto o outro rapaz que o acompanhava. Este já parecia mais velho e formal, vestia-se com um terno preto e  uma gravata vermelha, tendo os cabelos levemente puxados para trás. Seus olhos rubros se mantinham atrás de um pequeno óculos de armação prateada. Os dois sujeitos lançavam a Dnieper um olhar intimidador, m&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;as o próprio apenas continuava a sorrir de maneira gentil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era então que o rapaz de terno ia com um dos joelhos ao chão, abaixando a  cabeça enquanto deixava os cabelos lhe caírem levemente sobre  a face.&lt;/span&gt; - &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Ajoelhe-se também, Molise.&lt;/span&gt;  - Falava para o outro que continuava a lançar a Dnieper um olhar de  desagrado. Mas por fim, este de nome Molise cedia, ajoelhando-se também mesmo  com total demonstração de relutância.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Eu já disse várias vezes que isso não é necessário.&lt;/span&gt;  - Dizia Dnieper com seu costumeiro jeito educado, enquanto  ele mesmo se curvava um pouco para frente de modo que pudesse  cumprimentar aos rapazes. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Boa noite, Reno e Molise Reinbach.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Eles  se levantavam, ficando em silêncio por um breve instante até que o  mais velho, Reno, voltava-se a pronunciar desta vez se dirigindo a  Dnieper. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Lord Ukraynn, eu e meu irmão viemos apenas lhe avisar uma coisa.&lt;/span&gt;  - Desviou brevemente os olhos para o menor, embora soubesse  perfeitamente que este se manteria apenas calado e a encarar o outro de maneira  nada amigável. Enfim, Molise só estava ali  por mera obrigação, quem daria o recado a Dnieper seria somente  Reno mesmo. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Um anjo veio a este mundo, meu senhor. A querubim das letras.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Dnieper  perdeu o sorriso por um breve momento, arregalando os olhos em um  espanto muito raro de atingir aquele homem tão  controlado. Segundos foram necessários para que ele conseguisse se  recompor e assim retomar a expressão natural e gentil. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Se puderem fazer a gentileza de achá-la para mim...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Já imaginávamos que iria nos pedir isso.&lt;/span&gt; - Disse Reno, por fim vindo a encarar Dnieper mais uma vez. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Faremos o possível para encontrá-la.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Agradeço imensamente. E cuidem dela direitinho para mim, sim? &lt;/span&gt;-  Inclinava levemente a cabeça para o lado, em uma expressão que parecia  ter um tom divertido, mas é claro, carregava consigo seu tom de  seriedade também. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Então, tenham um bom dia.&lt;/span&gt;  - Dava um último cumprimento aos irmãos, voltando a retomar seus passos  em linha reta, assim os ultrapassando e dando um último sorriso cordial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Minutos  se passaram e nada mais foi dito. Somente os passos de Dnieper podiam  ser ouvidos pelos rapazes, diminuindo seu som à medida que se afastava, até por fim  desaparecer. Era então que um irmão se voltava para o outro e Molise vinha por pronunciar suas primeiras palavras depois daquele encontro.&lt;/span&gt; - &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Demônios não existem para ficar atendendo caprichos de caras como aquele. &lt;/span&gt;- Cruzava os braços, parecendo realmente revoltado com tal situação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Você sabe que isso não é verdade.&lt;/span&gt;  - O mais velho suspirava, enquanto Molise parecia ficar ainda mais  emburrado, já que sabia que sua própria fala não era mesmo válida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Como nossa amada irmã foi se deixar levar por ele?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Eu e você já concordamos em não tocar mais nesse assunto. Não comece de novo.&lt;/span&gt; - Reno levava uma das mãos até os cabelos do irmão menor, bagunçando-os mais do que já estavam. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Agora vamos, temos um anjo para capturar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8649930379859313991-3459431516300281850?l=fruitoflove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fruitoflove.blogspot.com/feeds/3459431516300281850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fruitoflove.blogspot.com/2010/12/cap%C3%ADtulo-5.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8649930379859313991/posts/default/3459431516300281850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8649930379859313991/posts/default/3459431516300281850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fruitoflove.blogspot.com/2010/12/cap%C3%ADtulo-5.html' title='Capítulo 5: Ordem dada na forma de um pedido'/><author><name>Fuinha Gallowmere</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03300786190501774507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-CckYqr912H4/TmbGmmgr1RI/AAAAAAAAAJQ/dbamne1yNLs/s220/avatar17.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8649930379859313991.post-1640020489411534260</id><published>2010-12-10T19:42:00.000-08:00</published><updated>2011-09-06T18:35:07.214-07:00</updated><title type='text'>Capítulo 4: Uma visita às vítimas do destino</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;O despertador se anunciou no horário costumeiro, fazendo com que May abrisse os olhos enquanto se levantava dando um curto bocejo. Sentia-se animada, afinal, o encontro que teria ao início da tarde era sua maior expectativa para aquele dia. Pegou algumas roupas limpas da gaveta, saindo do quarto rumo ao banheiro para tomar seu banho matinal. Cumprimentou sua tia com um adorável “bom dia”. A mulher estranhou um pouco, mas logo pareceu satisfeita ao imaginar que a sobrinha havia tido finalmente uma boa noite de sono. A alegria de May era notável.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Ao interior do banheiro, despia-se, entrando sob a água quente do chuveiro. Ficava a planejar mentalmente alguns assuntos que poderia citar com Dnieper, que roupa iria vestir, além de tentar imaginar para onde seria levada por ele. Mas é claro, também não se esquecia de seus receios e dúvida que, segundo Ukraynn, seriam todos resolvidos naquela mesma tarde.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Ficou tão perdida entre pensamentos que sua tia viera lhe cobrar o término do banho que já havia demorando demais. Assim desligou o chuveiro, colocando suas roupas limpas, peças bastante simples para ficar mais a vontade dentro da própria casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Foi à cozinha tomar o café da manhã, fazendo-o de um modo meio apressado. Conversava um pouco sua tia e a informava que iria sair depois do almoço. Por May nunca possuir tal costume, a mulher estranhou. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;E para onde você vai?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Mastigar o pão fora a deixa que encontrara para tardar a responder, nem mesmo May sabia para onde iria. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Vou dar um passeio.&lt;/span&gt; - Claro que também não poderia dizer que iria se encontrar com um homem que havia conversado pouquíssimas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;A tia mais nada disse. Afinal, achava que um passeio pudesse fazer bem à jovem. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Apenas volte antes de escurecer.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;May concordou com a cabeça. Realmente não pretendia demorar tanto assim para voltar. Talvez fosse melhor apenas esclarecer suas dúvidas e já voltar para a casa. Enfim, nada mais comentou com aquele assunto. Terminado o café, a jovem foi lavar a louça, ajudando também a tia fazer o almoço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Conforme as horas iam se passando, May ficava mais e mais ansiosa. Também almoçou de maneira mais ágil que normalmente, correndo para o quarto se arrumar. Estava bastante indecisa quanto ao que vestir, retirando várias peças de seu guarda-roupa, colocando-as uma por vez sobre o próprio corpo para ter uma idéia de como ficaria. Por fim, optou por um vestido bege, bastante delicado e meio curto, com finas rendas que iam até um pouco acima de seus joelhos. Para esconder as pernas, até então expostas, colocava uma meia branca, comprida e semitransparente, deixando combinar perfeitamente com o sapato também branco que possuía um laço cor de areia como um único detalhe sutil. De acessórios, colocou apenas uma pulseira simples e um colar com pingente de cruz, presenteado por sua amada avó. Também deixava os cabelos levemente presos por uma tiara de mesmo tom do vestido, dando um toque final. Por último se maquiava, contornando os olhos castanhos de preto, pintando as bochechas de um tom avermelhado, além do batom caramelo que deixou seus lábios levemente brilhantes. Colocava a alça da bolsa sobre um dos ombros, lançando um último olhar de análise para o próprio visual.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Era difícil se lembrar qual  havia sido a última vez em que se arrumara de maneira tão caprichada. Tinha sido em sua formatura do ginásio. Perfumou-se, terminando finalmente com sua produção. Estava linda, com uma aparência de boneca. Saiu do quarto e foi se despedir de sua tia, prometendo novamente voltar antes do anoitecer. Pegou as chaves, saindo pelo portão e o trancando, desta vez não era preciso pulá-lo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Colocou as chaves ao interior da bolsa, subindo pela rua em direção àquela mureta na qual havia encontrado com Dnieper durante a madrugada. E lá estava ele, parado no mesmo lugar, de olhos fechados de modo que aproveitasse melhor a brisa do início da tarde. A rua estava um tanto movimentada, o que dava a May ainda mais segurança. Respirou fundo e foi até ele, cumprimentando-o com um simpático “Boa tarde, Dnieper”. Estava estranhamente se sentindo feliz em vê-lo, tendo as bochechas um pouco mais avermelhadas do que havia maquiado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Boa tarde, senhorita Beauronne&lt;/span&gt; - Ele abriu os olhos ao ouvir a jovem lhe dirigir a palavra, assim retribuindo a sorrir para ela de um modo bastante gentil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Pode me chamar apenas de May.&lt;/span&gt; - Realmente iria se sentir desconfortável caso pudesse chamá-lo pelo primeiro nome e ele não fizesse o mesmo, apenas por formalidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Gostaria de já irmos?&lt;/span&gt; - Ele desencostou da parede, mesmo que aguardasse pela decisão da jovem.&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Sim, tenho que voltar antes do anoitecer.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Claro, creio que não iremos demorar.&lt;/span&gt; - Dnieper então iniciou seus próprios passos pela rua, em um caminho oposto da qual ficava a casa de May. Esperava ser logo acompanhado por ela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Assim foi feito pela garota, seguindo-o embora ficasse um pouco atrás dele enquanto se deixava guiar. Corava um pouco mais ao imaginar se Dnieper havia a achado bonita. Aos poucos, a jovem ia criando um pouco mais de coragem para encará-lo. Ele parecia um tanto distraído com o caminho que seguiam, assim aparentemente sem notar que estava sendo observado por May.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Achava curioso o fato do homem não possuir uma única marca sequer no rosto, além de seus olhos serem dourados, algo que deixava a jovem ainda mais intrigada. Até às vezes anteriores, achou que ele usava alguma espécie de lente, mas agora observando mais atentamente, ficara na dúvida. Assim caminharam por várias ruas, em silêncio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Estamos quase chegando.&lt;/span&gt; - Dnieper virava com o rosto para a jovem por fim, fazendo-a despertar de todos os seus pensamentos. May desviava rapidamente o olhar em uma fútil tentativa de disfarçar o que estava fazendo até então. O homem de nada pareceu perceber.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Ah, tudo bem. &lt;/span&gt;- Não dizia mais nada por timidez, dando apenas continuidade a seus passos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Viraram mais algumas ruas e o caminho começava a se tornar um tanto familiar para May. Já começava a sentir o coração bater de maneira um pouco mais intensa apenas por cogitar a possibilidade de estarem indo a um certo lugar, já visitado pela jovem alguns dias atrás. Seria mesmo possível? Andaram por mais um quarteirão e viraram à esquerda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Chegamos.&lt;/span&gt; - O mais alto parou, sorrindo para a jovem de um jeito estranhamente inocente, como se não notasse a expressão de espanto que May agora conservava. Estavam em frente ao hospital em que falecera sua avó.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;O que viemos fazer aqui?&lt;/span&gt; - Ela olhou para Dnieper, indagando com certo temor. Não queria entrar naquele lugar, já que somente do lado de fora era capaz de sentir como se uma aura ruim lhe rodeasse. Não gostava de hospitais, ainda mais de um designado somente a pessoas que sofriam vítimas do câncer, local da morte de sua avó.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Pensei que queria respostas May. &lt;/span&gt;- O homem retribuiu ao olhar, mas agora de um jeito que parecesse preocupado com o incômodo que a jovem apresentava. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Mas se você não se sentir bem com isso...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Não, está tudo bem. &lt;/span&gt;- Interrompeu-o sem nem ao menos antes refletir sobre aquilo. Havia ido lá para obter suas respostas de fato, e achou que não iria se perdoar caso renegasse sua própria decisão. Provavelmente se viesse por se render naquele momento, um terrível pesadelo estaria a esperando de noite. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Vamos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Dnieper apenas voltou a sorrir, concordando com a cabeça. Seguia então pela entrada do hospital, mais uma vez esperando ser seguido por May. Ela respirava fundo e ia logo atrás dele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;De fato, não deveria haver um lugar melhor para se obter respostas sobre a morte de sua avó do que o próprio local de seu falecimento. Porém, não havia como Dnieper saber sobre aquilo, pelo menos até onde May podia supor. Talvez fosse apenas uma coincidência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Você pode me fazer um favor, May?&lt;/span&gt; - O homem mais uma vez se voltava para a pequenina, esperando uma resposta positiva dela para poder então prosseguir com sua fala. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Diga à recepcionista que você visitará o quarto de número 27, da paciente Anna Alsteran. Estarei te esperando no corredor, sim?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Desta vez sem aguardar por uma resposta, Dnieper partia em direção o extenso corredor enquanto May permanecia imóvel por um instante. Não entendera bem aquilo, e não fazia idéia de quem era a tal de Anna Alsteran, porém, achou melhor fazer como ele lhe havia dito. Foi até a recepcionista e passou a ela as informações. Esta então a olhou com bastante surpresa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Que bom que alguém decidiu vir visitá-la. Ela não recebe ninguém há meses. &lt;/span&gt;- A recepcionista também não pareceu muito interessada em saber se a jovem era algum parente ou apenas conhecida da paciente Anna. Pelo jeito que ela falava dava a entender até mesmo que qualquer visita já era mais do que válido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Recebeu um crachá de visitante, juntamente com informações de como chegar ao quarto. May agradeceu e se virou, seguindo então a caminho do corredor. Ficou se perguntando por que Dnieper também não pegara um crachá. Sua avó havia ficado no quarto de número 6, de modo que para May as coincidências pareciam ter acabado.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; Avistou seu guia já no meio do corredor&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Ukraynn havia parado de andar e sorria para May enquanto ela se aproximava. Era então que o homem era surpreendido por três crianças que vinham correndo, pulando nele por entre vários risos. Ele se fazia de surpreendido, logo vindo por rir com elas de maneira animada. -&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt; Oh, olá! Como vão vocês?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Dnie, que saudades! Você demorou para vir nos visitar!&lt;/span&gt; - Dizia uma das meninas fazendo uma cara manhosa, enquanto puxava de leve o tecido do sobretudo de Dnieper.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;As três crianças vestiam uma roupa hospitalar azul claro. Eram magras e pareciam não possuir um único pêlo no corpo, de modo que não tivessem cabelos, cílios ou sobrancelhas. De suas peles um tanto pálidas, apenas se destacavam alguns vermelhões que mais pareciam queimaduras. Ver tais crianças naquelas condições fez com que May sentisse seu coração sendo esmagado por uma angustia muito intensa, a sensação de pena.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Ah, peço desculpas de joelhos! &lt;/span&gt;- Levando as palavras ao sentido literal, Dnieper vinha por se ajoelhar de modo que diminuísse a própria altura perante as crianças embora ainda ficasse consideravelmente maior que elas. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Podem me perdoar?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Bobo, é claro que sim.&lt;/span&gt; - A outra menina, um pouco menor do que a primeira, falava enquanto chacoalhava Dnieper de leve. Vinha por rir acompanhada pelas outras duas crianças e também pelo homem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Você sabe que nós entendemos Dnie. Mas venha um dia cantar para nós, por favor!&lt;/span&gt; - Desta vez quem se pronunciava era o menino, ainda menor que as duas outras garotas. Dnieper apenas voltou a sorrir. May permanecia vidrada naquela cena, que era comovente e bela demais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Vinha então uma enfermeira, chamando pelos pequeninos. Ela se aproximava e pegava uma das crianças pela mão. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Vamos. Vocês precisam se alimentar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Até mais, Dnie!&lt;/span&gt; - As três crianças pareceram falar juntas, acenando para ele com carinho.  A enfermeira não dirigia um único olhar para o homem que ainda se mantinha ajoelhado, o que foi julgado por May total indelicadeza por parte daquela mulher. Como alguém poderia ignorar uma atitude tão linda e gentil como aquela?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;A enfermeira passou então por May dando um suave suspiro, cumprimentando somente a ela. Seguia pelo caminho levando as crianças até virar para outro corredor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Vamos então?&lt;/span&gt; - Dnieper se levantava ainda sorrindo. Não parecia ter se incomodado pela falta de gentileza da enfermeira. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;A jovem concordou, aproximando então do mais alto. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Olhe, sua atitude foi muito bonita. Aquelas crianças parecem mesmo gostar de você.&lt;/span&gt; - Queria compensar aquela situação, mostrando a Dnieper que seu gesto para com as crianças era realmente digno de admiração. Achava que se todas as pessoas tratassem as vítimas de uma doença tão terrível com tanto carinho como ele demonstrara por aquelas crianças, o mundo com certeza seria muito melhor. Nem mesmo May se sentia capaz de demonstrar tanto afeto por qualquer um dos pacientes daquele hospital, com exceção de sua falecia avó. Talvez a comoção lhe impedisse de ser forte o suficiente para tratar aquelas vítimas de um destino cruel do mesmo jeito que trataria qualquer pessoa sadia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Ficou lisonjeado, May.&lt;/span&gt; - Demonstrava-se de fato muito agradecido, seguindo pelo corredor até o quarto número 27. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Poderia abrir a porta para mim, por gentileza?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;A garota apenas o fez, sem muito refletir o porquê daquele pedido. Abriu a porta e assim deixou com que Dnieper entrasse primeiro, seguindo-o então mesmo que um tanto sem jeito. Permanecia atrás dele, voltando logo a fechar a porta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Boa tarde Anna. &lt;/span&gt;- Dnieper voltava a falar de um modo sereno, dirigindo o olhar para a única cama não vazia daquele quarto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Eis que May dirigia um primeiro olhar para a aquela com quem o homem dirigira a palavra. Havia uma senhora negra sobre a cama, deitada e coberta até o peito com um lençol. Parecia muito fraca, e custava para virar um pouco a cabeça para olhar seus visitantes. Quase toda a sua cabeça estava enfaixada, ocultando também seu olho esquerdo, apenas o direto permanecia exposto. Pela aparência, May julgaria que aquela mulher deveria ter por volta de seus 90 anos. Porém, logo também supôs que ela não deveria ser tão velha assim. Provavelmente era apenas mais uma consequência daquela doença.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Quando o único olho da senhora fitou Dnieper, os lábios dela se esforçavam para se contorcerem em um sorriso. O rosto dela era cheio de imperfeições. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Olá, meu querido&lt;/span&gt; - A voz de Anna também soava com esforço, quase em um suspiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Como a senhora está?&lt;/span&gt; - Dnieper inclinou levemente com a cabeça para o lado, mantendo sempre a expressão gentil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Sinto a vida cada vez mais deixar o meu corpo. &lt;/span&gt;- A mulher parecia sorrir ainda mais, falando de maneira um tanto pausada. -&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt; Confesso que estou ansiosa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Ukraynn apenas manteve a mesma expressão, enquanto May pareceu ficar muito surpreendida com tal comentário feito pela senhora. Ela estava... ansiosa para morrer?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Anna, quero que conheça uma pessoa.&lt;/span&gt; - Dnieper saiu da frente de May, deixando-a agora a vista da paciente. A garota pareceu ficar um pouco tímida, mas a cumprimentou com um “olá” mais gentil que lhe fosse capaz naquele momento. Assim o homem prosseguia com as apresentações. -&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt; O nome dela é May.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Prazer em conhecê-la May... Eu me chamo Anna.&lt;/span&gt; - A senhora ergueu de maneira lenta uma das mãos em direção a jovem, mas logo se deteve, voltando a repousá-la sobre a cama.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;O prazer é todo meu.&lt;/span&gt; - May vinha por sorrir para ela, demonstrando uma felicidade sincera em também conhecê-la.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Muito cuidado menininha... Esse garanhão ao seu lado aí não é nada fácil.&lt;/span&gt; - Dizia Anna, voltando com o olhar para Dnieper.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Oh, não diga algo assim Anna! Eu fico realmente muito sem jeito.&lt;/span&gt; - Ele vinha por rir, mas quem parecia de fato ficar sem jeito com tal comentário era May, que sentia as bochechas ficaram totalmente rosadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;A senhora também vinha por rir, mas logo se interrompia pelo iniciar de uma sequência de próprias tosses. Virava-se levemente para o lado, parecendo se contorcer enquanto gemia. Parecia começar a ter também uma crise de dor. May sentiu o coração disparar com tal cena, sem saber o que fazer para acudir a mulher. Virava o rosto para Dnieper que apenas havia fechado os olhos e conservava um sorriso por entre os lábios, mesmo que amenizado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Dnie... você...&lt;/span&gt; - Dizia a mulher entre suspiros e tossidos secos. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;... cantaria para mim?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Ele abriu os olhos dourados que pareciam mais brilhantes do que de costume, pareciam agora fixos na mulher que se contorcia, embora viesse a falar primeiramente apenas com a menina. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;May, você poderia chamar as enfermeiras enquanto isso?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;A garota se aproximou do botão vermelho que ficava mais próximo, indo apertá-lo para solicitar auxílio médico, quando fora interrompida pela voz de Dnieper que soava mais uma vez. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Não. Chame-as pessoalmente, por favor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;May lhe dirigiu um olhar muito surpreso, sem compreender qual a necessidade de  perder tempo indo pedir socorro às enfermeiras pessoalmente quando o botão de emergência estava bem ali. Ficou parada por um instante, refletindo, mas enfim optou por seguir o comando de Dnieper que, no conceito de May, deveria saber muito bem o que estava fazendo. Ela concordou com a cabeça e saiu do quarto, deixando a porta aberta. Passava então a correr pelo corredor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Era então que Dnieper começava a cantar, deixando sua voz transpassar através de seus lábios em uma melodia suave, pronunciando novamente palavras que May não era capaz de compreender. Seu recitar parecia ecoar por cada canto daquele vasto corredor, aumentando a entonação de sua voz conforme cada passo que a jovem dava desesperada em busca das enfermeiras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Conforme corria, sentia a canção de Dnieper ficar um pouco mais baixa, embora ainda fosse perfeitamente capaz de se deixar invadir por aquele recitar. Virou para outro corredor, sem saber para onde ir. Havia ficado perdida ao interior daquele hospital em meio à pressa de pedir ajuda. Continuava a correr. Era então que ouvia uma das enfermeiras pronunciar a palavra “Dnie”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estavam três delas reunidas em um ambiente que parecia uma cozinha, tomando café enquanto conversaram. May foi lhes informar o que estava acontecendo no quarto 27, mas se encolheu para fora do cômodo, mantendo-se então do lado da porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Ouvi as crianças dizerem este nome de novo, acreditam? Não é a primeira vez.&lt;/span&gt; - &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Quem falava era a mesma enfermeira que viera buscar os pequeninos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Realmente, muitos pacientes dizem que já receberam uma visita dele, e todos o descrevem exatamente da mesma maneira.&lt;/span&gt; - &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Dizia sua outra companheira de serviço, mantendo o ritmo da conversa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Creio que os remédios estejam fazendo com que os pacientes acreditem em tudo que ouvem por aí, de modo que isso deva ser apenas um boato que se espalhou... Ou é algum tipo de assombração!&lt;/span&gt; - &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;A terceira enfermeira se pronunciava e assim as três passavam a rir.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;O que vocês estão dizendo? &lt;/span&gt;- Era May quem falava desta vez. Quando se deu conta, já havia entrado na cozinha e indagado que tipo de piada era aquela. Realmente não fazia sentindo algum. Olhava-as incrédulas, e as enfermeiras a fitavam mais incrédulas ainda. Enfim, May balançou a cabeça, aquilo não importava afinal. Nem deveria ter perdido tempo com aquilo, já que Anna precisava de auxílio médico urgente. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;A senhora do quarto 27 está passando muito mal.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Somente uma das enfermeiras se levantou, enquanto as outras duas permaneceram juntas aos seus cafés. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Eu vou ver. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Partiram então rumo ao quarto de Anna, embora May parecesse ter passos muito mais apressados do que a enfermeira. No meio do percurso, a jovem ouvia Dnieper finalizar com sua canção. Demoraram poucos instantes para chegarem ao cômodo 27.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;May entrou primeiro, fazendo apenas uma pequena curva já que a porta do quarto se encontrava aberta. Viu Dnieper imóvel no mesmo lugar em que estava antes da garota deixar o quarto. Ele estava de olhos fixos em Anna, e sorria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao virar o rosto para a cama, May tombou levemente para trás, sendo obrigada a parar ali mesmo onde estava, perto a porta.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; Já a enfermeira corria para a senhora, esta que estava com o pescoço completamente dobrado para o lado e seu único olho exposto, quase que virado para trás. Estava morta. A enfermeira passava a apertar o botão de emergência inúmeras vezes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;May muito abalada começou a chorar, dirigindo um olhar assustado para Dnieper. O que ele havia feito com ela? Teria pedido para May sair do quarto de propósito?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Apertar o botão de emergência não faria diferença.&lt;/span&gt; - Dizia Dnieper voltando com seu modo de falar sereno, como se tivesse adivinhado os pensamentos da jovem embora ainda continuasse com o olhar fixo sobre a cama onde se encontrava o corpo da senhora. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Agora olhe.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;A garota voltou então com os olhos também para a cama, vendo uma espécie de esfera de luz sair de sobre aquele corpo velho, lentamente. Era branca e possuía um brilho muito forte, passando a pairar sobre ar e assim deixava a enfermeira para trás. Por onde passava um contorno cintilante permanecia. Algumas enfermeiras entraram no quarto esbarrando em May, mas a garota se mantinha imóvel, de olhos vidrados a aquela esfera luminosa que agora ia na direção de Dnieper.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Quando tal luz chegou bem próxima a ele, o homem a tocava de maneira bastante delicada apenas com o dedo indicador, parecendo começar a sorrir ainda mais. Lentamente, aquela esfera de luz foi tomando a forma de uma silhueta humana, que pairava sobre o chão, como se flutuasse, ficando um pouco mais acima que Ukraynn. Aos poucos o brilho foi baixando, e May era capaz de ver uma moça ali, parada em frente a Dnieper.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Ela era negra, e vestia um vestido verde muito bonito que lhe cobria também os pés. Possuía cabelos cacheados e volumosos que iam até seus ombros. A mulher sorria, levando uma das mãos de encontro a que havia sido tocada por Dnieper, entrelaçando seus dedos aos do homem. Ela levava devagar o próprio rosto da direção do dele, e assim ambos fechavam os olhos, May sentiu o coração disparar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bela negra dava em Dnieper um carinhoso beijo sobre a bochecha que pareceu persistir durante consideráveis segundos. Era então que ela dizia algo ao seu ouvido sem cochichar, de modo que May também fosse capaz de ouvir. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Não adianta deixar de mentir para os outros, se você continua a mentir para si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;O homem perdeu o sorriso no mesmo instante, abrindo os olhos que agora conservavam um olhar perdido. May ficou a imaginar porque tais palavras ditas pela mulher tinham abalado Dnieper de tal modo. Porém, depois de alguns segundos, ele voltou a sorrir de maneira bondosa, fechando os olhos mais uma vez. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Obrigado, Anna.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;A negra então se desencostou dele se voltando para May, esta que ainda permanecia vidrada com tal cena. Dnieper havia a chamado de Anna, deixando a jovem completamente confusa. Poderia aquele ser o espírito daquela senhora que a pouco havia falecido? Era como um sonho, inacreditável demais para ser real.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Morrer é apenas um novo começo, e a sensação é de extrema paz.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt; &lt;/span&gt;- Dizia a negra de um modo gentil, dirigindo a garota um olhar encantador.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;May ouviu as palavras dela com atenção, refletindo e logo lhe dando um aceno positivo com a cabeça. Vinha também por sorrir, enxugando as lágrimas que por vezes ainda deslizavam por seu rosto, deixando a maquiagem de seus olhos levemente borrada. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Muito obrigada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;A mulher apenas dirigiu um último olhar carinhoso para ambos, e assim voltava lentamente para a sua forma original de esfera e brilhando intensamente mais uma vez, desaparecendo até sua luz não poder ser mais vista. Dnieper lentamente abaixava a própria mão que, até então, permanecia  junto a do espírito. As enfermeiras puxaram a cama para fora do quarto, levando-o as pressas pelo corredor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Vamos embora?&lt;/span&gt; - Dizia Dnieper enquanto se aproximava da jovem e assim logo saia do quarto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Sim. &lt;/span&gt;- May concordou, afinal, não havia mais o que ser feito ali. Seguiu Dnieper até a saída do hospital, não sabendo ao certo o que comentar sobre o momento que acabava de presenciar. Tudo aquilo parecia para ela ainda inacreditável demais. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Eu... nunca havia visto nada parecido antes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Foi uma boa experiência?&lt;/span&gt; - O homem seguia pelo mesmo caminho no qual tinham vindo, provavelmente já pretendendo acompanhar May até em casa também, embora ainda faltasse bastante tempo para o anoitecer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Foi única.&lt;/span&gt; - A jovem sentiu o interior do peito ser invadido por uma estranha alegria. Aquele espírito realmente parecia muito feliz, e May achou que havia se deixado contagiar por tal sentimento. – &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Ela era muito bonita.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Era sim.&lt;/span&gt; - O homem mantinha o ritmo costumeiro de seus passos, tendo sempre a mesma expressão adorável estampada sobre a face.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Andaram mais alguns quarteirões agora em silêncio, chegando até a mureta que cercava aquelas belas árvores que agora brilhavam sob a luz do sol. Não tinha quase ninguém perambulando pelas ruas naquele momento, de modo que May e Dnieper ficassem de certa maneira sozinhos.&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; Eis então que a jovem passou a cogitar uma possibilidade. Dnieper parecia visitar aquele hospital com bastante frequência, o mesmo que sua avó ficara como paciente durante algumas semanas atrás. Seria possível que ele...!? -&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Dnieper...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Sim?&lt;/span&gt; - O mais alto virava um pouco o rosto para May, esperando que ela voltasse a se pronunciar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Você conheceu a minha avó?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;O homem parou de andar, a garota fez o mesmo. Dnieper se virou para ela, olhando-a de um modo muito gentil, mais uma vez dando aquela entonação serena a própria voz. – &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Ela costumava contar sobre sua neta encantadora, meiga, e às vezes um pouco tímida também. Disse que a cada dia que se passava a via crescer mais bela e forte. Apenas sentia por não poder estar aqui fisicamente, quando esta menina se tornasse uma grande mulher.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;May ouvia as palavras dele, sentindo os olhos novamente se encherem de lágrimas. Foi se aproximando do sujeito lentamente, vindo por abraçá-lo enquanto escondia o rosto choroso sobre um pouco abaixo do peito dele.&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Ela te amava muito May.&lt;/span&gt; - Dnieper não parecia surpreso, ou incomodado por tal abraço repentino por parte da menina. Levava uma das mãos até os cabelos dela, afagando-os de leve como se tentasse confortá-la de alguma maneira. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Não tenha dúvidas de que ela está rogando por você lá do céu.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;A jovem chorava baixinho, agarrando-se ao sobretudo do homem. Ficava daquela maneira durante alguns instantes, até resolver se pronunciar mesmo tendo agora uma voz trêmula. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Ela morreu sorrindo? Assim como Anna?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Ela morreu com um dos sorrisos mais belos que eu já vi.&lt;/span&gt; - Continuava a lhe acariciar os cabelos gentilmente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Era por isso que você cantava francês no dia do velório dela... &lt;/span&gt;- May levava uma das mãos ao rosto, tentando impedir com que as próprias lágrimas continuassem a deslizar por sua face. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Minha avó era francesa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Dnieper apenas concordou suavemente com a cabeça, mantendo-se da mesma maneira enquanto esperava com que a jovem viesse por se afastar por conta própria. Assim era feito por ela após mais alguns minutos, largando por fim o sobretudo do homem. Ele também se afastava, deixando de tocar os cabelos de May. - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Está brava comigo por não ter te contado antes?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Não, não estou.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; - A garota se recompôs, secando as lágrimas e logo esboçou também um&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; carinhoso &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;sorriso para o mais alto. Não havia por que e nem como ficar brava com ele. Achou que todas as surpresas fizeram parte das valiosas lições que havia aprendido naquela tarde. - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Muito obrigada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Voltaram então a seguir pelo caminho, descendo a rua até a casa de May, sem abordarem mais qualquer assunto. A menina ficava a relembrar tal visão que tivera daquele espírito, tão lindo e sorridente, exalando uma pureza estonteante. Eis então que lhe surgia uma pequena curiosidade, embora de inicio receasse em perguntá-la para o homem que seguia pelo caminho, um pouco mais a frente que ela. Estufou o peito em coragem, assim o chamando pelo nome logo seguindo com sua pergunta. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Dnieper... por que você...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Eu disse que não demoraríamos muito, não disse?&lt;/span&gt; - Ele parava em frente ao pequeno portão da casa de May, voltando-se para ela com sua expressão de bondade rotineira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jovem o fitou por um instante, imaginando que ele a havia cortado de propósito, como se aquilo já fosse até um costume. Mesmo assim, insistiu com a pergunta. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Por que você não pode mentir?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnieper retribuiu ao olhar de May, não parecendo surpreso. Mantinha o sorriso. Ele apenas tardoue&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; em lhe responder, como se refl&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;tisse por um instante quais seriam as palavras certas para se pronunciar. Mas a menina só o indagava para descobrir se aquilo era mesmo verídico, afinal, se Dnieper não pudesse mentir, também não poderia o fazer quanto àquela pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;...É por causa disso.&lt;/span&gt; - Palavras mesmo, o homem pouco dizia. Puxou de leve a manga do próprio sobretudo e da camisa do punho direito, revelando à jovem que seu pulso continha uma profunda &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;cicatriz&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; na horizontal, como se tivesse sofrido um corte muito intenso no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem saber o que comentar, a garota apenas corou, sentindo um pouco de vergonha de si mesma por ter feito uma pergunta &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;apenas para satisfazer sua própria curiosidade, e &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;que levasse uma resposta tão pessoal de Dnieper. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Me perdoe, por favor. Eu... não fazia idéia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Está tudo bem, May.&lt;/span&gt; - O mais alto deixava com que as mangas lhe caíssem novamente sobre o pulso, voltando a ocultar sua cicatriz. Ele realmente não parecia abalado, mas já vinha por se despedir. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Tenha um bom fim de tarde, sim?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;P-para você também..&lt;/span&gt;. - Ela continuava sem jeito e envergonhada. Se houvesse algo que pudesse fazer para reparar aquela indelicadeza... Além se sentir em dívida com ele. Na verdade, nem sabia por onde começar a agradecê-lo. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Dnieper... muito obrigada por tudo. Na verdade, eu gostaria de lhe retribuir de alguma forma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sorriu ainda mais, e seus olhos dourados pareciam cintilar. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Na verdade, há algo bastante simples que você possa fazer por mim. Mas ficará para outro dia, se estiver mesmo disposta, serei eternamente grato.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;May concordou com a cabeça, não ousando mais fazer qualquer outra pergunta, ainda um pouco receosa de lhe fazer mais alguma indelicada. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Você já sabe onde eu moro, pode vir me visitar quando quiser. &lt;/span&gt;- Ela voltou a ficar com as bochechas vermelhas, retirando as chaves da pequena bolsa para disfarçar. Destrancou o portão, adentrando em seu jardim. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;E mais uma vez, obrigada por tudo. Até logo.&lt;/span&gt; - Dnieper se despediu também com um "até logo", e May&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt; lhe dava um último aceno, entrando para dentro de casa. Sorria para ele de maneira meiga, e assim o viu partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ao interior da própria casa, cumprimentava sua tia que subia para o quarto, jogando-se na cama enquanto vinha por abraçar o próprio travesseiro. Estava muito feliz e satisfeita com o dia que tivera, em uma experiência que com certeza jamais iria se esquecer. Imaginou sua avó sorrindo para ela do céu e como seria seu próprio encontro com Dnieper, que aliás já estava ansiosa por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8649930379859313991-1640020489411534260?l=fruitoflove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fruitoflove.blogspot.com/feeds/1640020489411534260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fruitoflove.blogspot.com/2010/12/capitulo-4-uma-visita-as-vitimas-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8649930379859313991/posts/default/1640020489411534260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8649930379859313991/posts/default/1640020489411534260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fruitoflove.blogspot.com/2010/12/capitulo-4-uma-visita-as-vitimas-do.html' title='Capítulo 4: Uma visita às vítimas do destino'/><author><name>Fuinha Gallowmere</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03300786190501774507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-CckYqr912H4/TmbGmmgr1RI/AAAAAAAAAJQ/dbamne1yNLs/s220/avatar17.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8649930379859313991.post-3130115312707459485</id><published>2010-12-09T15:14:00.000-08:00</published><updated>2011-09-06T16:41:17.820-07:00</updated><title type='text'>Capítulo 3: Noite entre sonhos e pesadelos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;A  queimação era tanta que mal conseguia respirar. Agarrava com firmeza o  lençol da cama de hospital, enquanto sentia a dor lhe consumir toda a  região das costas e seu coração pulsar de maneira intensa ao tentar  gritar, debatendo-se com o corpo em uma tentativa fútil de cessar todo  aquele sofrimento. Tudo que conseguia era deixar com que as lágrimas  transbordassem seus olhos, escorrendo por sua face. Aquilo era terrível,  como se cada gota de seu sangue estivesse envenenada com aquele ardor,  espalhando a doença por cada centímetro de sua carne. Era câncer  pancreático, em estado terminal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina gritava desesperada,  acordando alguns vizinhos e, é claro, sua tia. Com a luz do quarto agora  acesa, fora acudida pela mulher que passava a chacoalhá-la  freneticamente, fazendo-a abrir os olhos que ainda choravam em angústia.  A dor finalmente cessava ao despertar da jovem, embora seu corpo  tremesse por fraqueza, agarrando-se à tia que retribuía com um abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Me perdoe... foi apenas um pesadelo.&lt;/span&gt;  - May tentava conter os soluços que ultrapassavam sua garganta, e  também se recuperar daquela sensação de mal-estar, medo, e morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Se eu soubesse que se afetaria tanto, jamais teria contado a você sobre aquilo.&lt;/span&gt;  - A tia falava de um jeito um tanto ríspido, porém, demonstrava  preocupação apenas pelo modo que envolvia a única sobrinha nos braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Não... está tudo bem. Me perdoe.&lt;/span&gt;  - Aos poucos, May era capaz de se recompor. Ia se afastando da tutora  enquanto levava as mãos ao rosto molhado, tentando secar as lágrimas que  ainda deslizavam por sua face. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Não irá acontecer de novo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;É o que você tem dito nos últimos três dias.&lt;/span&gt;  - A mulher também vinha por se afastar, levando uma das mãos sobre a  testa da sobrinha para se certificar de que a mesma não se encontrava  com febre. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Sorte  sua que já está de férias. Mesmo assim, trate de ir dormir e não pense  mais nisso. Caso contrário, te darei um remédio para dormir.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Eu já entendi.&lt;/span&gt;  - May puxou o lençol já quase caído de sobre a cama para junto do  próprio corpo, vendo a tia ir até a porta do quarto e a desejando um  último “boa noite”, logo retribuído também pela jovem. A luz era apagada  e a porta do cômodo se fechava, deixando May novamente envolvida na  escuridão de seu quarto, que era interrompida somente por um  insignificante feixe de luz que transpassava pela janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitou  com a cabeça sobre o travesseiro, colocando-se de lado enquanto voltava a  fechar os olhos. A tremedeira já tinha passado e o coração retomado o  ritmo que lhe era natural. Porém, sua mente ainda se mantinha agitada,  refletindo sobre as experiências que andava vivenciando nas últimas  noites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua avó era uma pessoa tão boa e carinhosa, sempre  prezando por um sorriso alheio. Fazia de tudo para todos, conselheira e  amiga, pronta em qualquer momento a dar um abraço caloroso a alguém que  tanto precisasse. Tão preocupada os com demais que jamais deixara de  sorrir, mesmo após saber que tinha poucos dias de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;May  sentiu as lágrimas quentes lhe descerem pela face mais uma vez,  umedecendo o travesseiro. Queria saber o que sua avó havia feito para  merecer um fim tão cruel, e onde estava Deus para permitir tamanha  injustiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a vida humana era frágil perante aquele destino  assassino. Talvez a própria jovem seria o cadável do dia seguinte,  vítima de alguma doença, acidente ou homicídio. De fato, o futuro era  imprevisível e assustador. E quando sua hora chegasse, o que seria dela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envolveu  o próprio corpo com os braços, encolhendo-se um pouco ao imaginar  aquela dor novamente, tal sensação de morte. Por entre choros,  recordações, e medo, a jovem adormecia, descansando até o início da  manhã seguinte, sendo acordada pelo despertador que anunciava às 9:00hs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou  e foi tomar um banho, lavando o corpo de mais um pesadelo que  provavelmente retornaria ao anoitecer. Foi ao supermercado a pedido da  tia, ajudou-a com o almoço e as demais tarefas da casa, assim como com o  jantar. Mesmo de férias, May não aproveitava muito, quase não tinha  contatos na cidade. Era em dias como aquele que ia visitar sua avó, mas  agora não havia mais tal possibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo escurecia. May foi  para seu quarto e finalizava seu dia sem grandes feitos, lendo algumas  páginas de um livro qualquer. Adormeceu com o iniciar da madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;***&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;Estava agora  próxima à janela, passando a ver seu próprio quarto, mal iluminado pelo  pequeno feixe de luz que lhe atingia levemente a face com a iluminação  da esplendorosa lua cheia que brilhava no céu. O próprio corpo da jovem  parecia cintilar, trazendo-a uma sensação de conforto enquanto fitava o  jardim de sua casa que lá fora havia. O orvalho valorizava o contraste  das flores em conjunto com a iluminação da lua, criando uma paisagem que  dançava em sutileza juntamente com o vento gentil. Tudo não passava de  um sonho, é claro, seu verdadeiro jardim estava longe de ser tão bonito  quanto aquele era. May estava ciente daquilo, porém, sorria para seu  próprio reflexo projetado no vidro da janela, tal que a separava daquele   belo ambiente. Um sonho agradável, muito diferente dos últimos que  andava tendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis então que virou o rosto um pouco para o lado,  fitando a cama que parecia também possuir um brilho próprio,  destacando-se dentre toda aquela vasta escuridão. Viu o lençol levemente  caído para o lado, chegando a tocar o chão, mas a maior parte dele se  mantinha ainda sobre a cama e sobre algo. O meigo sorriso de May ia  desaparecendo conforme cada passo era dado pela garota em direção a  cama, em curiosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a cama havia um corpo, de olhos  abertos e mãos agarradas com força ao lençol, em uma expressão de  desespero, pálida e com os lábios tão secos que pareciam prestes a  rachar. Era seu próprio corpo que ali se encontrava, a garota May que  deitada na cama estava com a região do abdômen dilacerada, de modo que  fosse possível se ver parte de suas vísceras, ensanguentando seu  delicado pijama branco e também o lençol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tal visão começou a  gritar, afastando-o daquela assombração enquanto levava  ambas as mãos à  cabeça. Tremia. Se seu corpo estava ali, então sua alma!?... queria  sair daquele pesadelo terrível, queria que todo aquele tormento  desaparecesse, vindo logo por chorar em aflição. Correu para a porta de  seu quarto, tentando abri-la em um movimento em vão, estava trancada.  Bateu forte contra ela pedindo por socorro, mas não houve resposta  alguma. May se sentia ainda mais amedrontada. Precisava de ajuda para  ser libertada daquela sensação de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis então que ouvia o  soar de uma voz através da janela, ecoando, e preenchendo cada canto  vazio daquele quarto. Vinha na forma de uma canção serena, pronunciada  por um homem, em palavras que a jovem não era capaz de compreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;May  se encostou na parede, fechando os olhos por um breve instante,  deixando-se invadir por aquele belo cantar. Era como se sentisse todos  aqueles temores se esvaindo através de cada rima feita por aquela  melodia, acalmando seu coração tão assustado. Aos poucos foi conseguindo  se acalmar. Tudo não passava de mais um sonho ruim afinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi  abrindo os olhos com calma, e desta vez, tudo que via era o teto de seu  quarto. Estava deitada sobre a cama, enrolada ao lençol e tendo também o  próprio corpo um tanto molhado devido ao suor. Havia conseguido  despertar de mais um pesadelo, desta vez, controlando seu corpo físico  de modo que não acordasse sua tia e os vizinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo que a  menina estivesse aparentemente de volta a sua realidade, ainda podia  ouvir aquele cantar, tal que era curiosamente capaz de reverter as  sensações de morte sofridas por May, para de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se sentia  revigorada e sem quaisquer temores, passando a dar um sorriso bastante  bobo para toda aquela escuridão que a cercava. Levantou-se da cama, indo  até a janela e assim a abrindo, via a frente seu jardim com poucas  flores e um tanto mal-cuidado. A voz vinha além dele, e além do  insignificante portão que limitava a casa da jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela canção  era bela demais para pertencer a aquele mundo. May não possuia dúvidas  de que estava presa em mais um sonho. Pulou a janela, sentindo os pés  descalços tocarem a grama um tanto seca do jardim. Foi seguindo por  entre a baixa vegetação até pular também o portão, que era um pouco  menor de onde até a cintura da menina alcançava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela voz era  sua guia e a lua cheia iluminava seu caminho. Andava somente um  quarteirão, alcançando uma mureta de pedra que cercava várias árvores em  seu interior, decoradas naturalmente com flores rosadas e vermelhas. O  vento batia sobre elas, fazendo com que seus finos galhos se agitassem. O  som do farfalhar das folhas também era lindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, foi  possível para May avistar o autor de tal canção. Encostado sobre a  mureta estava um sujeito alto, de cabelos negros e uma aparência muito  bonita. Parecia que ele dava um último toque especial àquela paisagem  que mais parecia uma pintura. Era o mesmo homem que May havia conversado  no dia do velório de sua avó, Dnieper Ukraynn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos  castanhos da menina ficavam vidrados nele e seus ouvidos envolvidos a  aquela canção que cessava por fim. O homem tinha ambas as mãos levadas  aos bolsos da calça, sentindo por um momento o agradável vento lhe  atingir a face, conservando os olhos fechados até aquele instante, vindo  então a abrí-los e de imediato fitar a jovem, moldando os próprios  lábios em um sorriso encantador. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Tem tido problemas para dormir ultimamente, senhorita?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;May  piscou os olhos algumas vezes, ficando imóvel e sem possuir qualquer  reação inicial. Começava a sentir o frio lhe invadir o corpo através do  seu pijama de tecido bastante fino. Não podia acreditar no que havia  acabado de fazer: pular a janela e o portão de sua própria casa, em  busca de uma voz tão maravilhosa que a fizera acreditar que ainda estava  sonhando. Dnieper também parecia fazer deduções bastante precisas. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Como você...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Você ainda está de pijama.&lt;/span&gt; - O sujeito riu de uma maneira divertida, mas também gentil, cortando assim a pergunta de May já com uma resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A  garota ficou com o rosto inteiro vermelho, totalmente encabulada com a  situação em que ela mesma havia se colocado. Como poderia explicar que  fugira de casa apenas para poder ouvir  mais de perto a voz tão bela que  ele possuía? May abaixou a cabeça, fitando o chão enquanto abraçava de  leve o próprio corpo já incomodado pelo frio. Tentava pensar em alguma  coisa que pudesse dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnieper então passou a se aproximar dela  lentamente, retirando o próprio sobretudo e o colocando sobre os ombros  da pequenina. Ficava tão grande para ela que parte daquela veste  chegava a tocar o chão. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Aqui está. Não é bom que você fique exposta assim a este vento, pode pegar um resfriado. &lt;/span&gt;- Ele voltava a se afastar, mantendo sempre o belo sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;May  ficou ainda mais corada. Pensou em recusar tal gentileza, afinal,  também não queria que ele pensasse que a jovem estava se deixando levar  por sua conversa. Mesmo que não fosse a primeira vez que o via, Dnieper  ainda era um estranho para May. Não saber que tipo de homem o tal era a  incomodava um pouco, embora ele não demonstrasse qualquer malícia quanto  a menina. Talvez, fosse apenas um mero cavalheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Obrigada.&lt;/span&gt;  - Acabava aceitando o sobretudo dele por fim, não muito pelo frio, mas  para esconder o pijama que vestia. Era muito constrangedor estar daquela  maneira perante um homem. Aos poucos, May erguia a cabeça ainda tímida,  voltando a fitar Ukraynn. Agora era possível ver como ele se vestia por  baixo do sobretudo. Usava uma camisa negra, fechada em todos os botões  do peito e das mangas, uma calça e um sapato do mesmo tom, sem demais  detalhes. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Em que língua o senhor... estava cantando agora a pouco?&lt;/span&gt;  - Talvez a maior curiosidade que movera a jovem até ali. Da primeira  vez notara que ele cantava em francês, não que o idioma lhe fosse fosse  muito familiar, apenas o reconhecia pelo término de algumas palavras.  Quanto à vez atual, não fazia qualquer idéia. Achava aquilo bastante  interessante, uma vez em que ambos os casos, a pronuncia de Dnieper  parecia perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Russo.&lt;/span&gt; - O moreno estufava o peito em orgulho, como se tivesse um sincero amor por aquela língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;May  demonstrava sua verdadeira admiração com um largo sorriso, achando  também bastante divertido o jeito com que ele se expressara. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Era uma canção muito bonita. Ela é de algum cantor conhecido?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Oh, não. Eu mesmo a inventei agora a pouco.&lt;/span&gt; - O homem voltava a rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De  fato, aquela resposta não era esperada por May, de modo que a jovem  ficasse ainda mais admirada. Não acreditava que aquele sujeito possuía  tanto talento para criar canções tão lindas de maneira improvisada, e  ainda não ser nenhum grande artista. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Você deveria procurar algum produtor musical, senhor. Tenho certeza de que faria muito sucesso e ganharia muito dinheiro!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnieper  mais uma vez riu, logo esboçando mais um sorriso cativante. De fato  parecia estar lisonjeado com as palavras da jovem. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Obrigado senhorita.&lt;/span&gt; - Ele então voltava com ambas as mãos ao interior dos bolsos, encostando-se novamente na mureta de pedra. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Mas eu jamais poderia lucrar com dinheiro sobre um dom que me foi presenteado de graça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;May parou para refletir durante alguns instantes, já que nunca havia ouvido algo parecido. Ficou um tanto sem graça. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;O senhor fala vários idiomas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Sim. Acontece que eu viajo bastante. Na verdade nem sou daqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Mesmo?&lt;/span&gt;  - A jovem demonstrava ficar cada vez mais interessada. Achava que nada  trazia mais cultura para uma pessoa do que viajar a lugares diferentes. -&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt; Vem de algum país?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Rússia.&lt;/span&gt;  - Dnieper mantinha sempre seu jeito simpático, revelando novamente o  orgulho ao falar sobre seu país, aparentemente de origem. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Senhorita, já está tarde, não? E está começando a ficar um pouco mais frio também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;É verdade...&lt;/span&gt;  - Entretida com a conversa, nem ao menos notara que ela mesma havia  trazido o sobretudo para mais perto do peito devido ao vento forte que  começava a soprar. Além disso, se sua tia desse conta de seu sumiço, May  realmente teria um grande problema. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;É melhor eu voltar para a casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Eu  a acompanharei então, afinal, precisa do sobretudo até chegar em sua  casa. E também não é prudente uma garota da sua idade ficar perambulando  por aí a essa hora da noite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Não se incomode senhor, moro na rua de baixo...&lt;/span&gt;  - Ficava novamente com as bochechas avermelhadas, já que teria que  retirar o sobretudo e revelar a ele o seu pijama mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Não me será incomodo algum andar um quarteirão pela sua segurança, senhorita.&lt;/span&gt; - Ele se desencostou da mureta, aproximando-se da menina. Parecia mesmo decidido em acompanhá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Tudo bem...&lt;/span&gt; - Cedia mesmo que ficasse levemente incomodada mais uma vez, desviando o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnieper  pareceu notar o receio que surgira na jovem com a oferta feita por ele,  assim mantendo cerca de dois metros de distância dela. Isso deixou May  um pouco mais segura. Assim a jovem passava a caminhar pela rua,  refazendo o percurso agora em direção a sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A distância  entre os dois permanecia, e May começou a imaginar que tivera uma  atitude grosseira perante tanta gentileza já feita pelo homem: não só  por lhe acompanhar até em casa, mas também pelo empréstimo do sobretudo,  e ainda, por ter despertado a jovem daquele pesadelo terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;O que adianta ser bom a vida toda, se no fim o destino não te polpa de uma morte cruel?&lt;/span&gt; - A garota abaixou a cabeça, pronunciando alto um de seus pensamentos. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Minha  tia disse que minha avó agonizou muito antes de falecer. Ela tinha  câncer pancreático, e quando descobriram já era tarde demais para  salvá-la...&lt;/span&gt; - May sentiu os próprios olhos se encherem de  lágrimas, não sabia por que estava dizendo tais coisas para aquele homem  afinal. Talvez estivesse desesperada para contar aquilo a alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnieper  permaneceu calado durante alguns instantes, até voltar a se pronunciar  mais uma vez.  Sua voz parecia soar em um tom mais sereno. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;É por este motivo que você não tem dormido bem?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Tenho  pesadelos... sonho que estou no lugar da minha avó momentos antes dela  falecer. Fico imaginando que ela morreu muito infeliz. &lt;/span&gt;- A menina  alcançava o pequeno portão de sua casa, mas apenas cessava com seus  passos, permanecendo de cabeça baixa. Dnieper também parou, mantendo a  mesma distância de até então. May lentamente se virou, erguendo o rosto  para o homem, no intuito de se despedir. Porém, seus olhos estavam  cheios de lágrimas, vendo a figura de Dnieper totalmente embaçada.  Acabava pronunciando mais um de seus pensamentos. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Quando é que isso vai parar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  homem finalmente voltava a se aproximar dela. Vulnerável, a jovem  passou a chorar. Dnieper apenas se agachou, amenizando um pouco a  diferença de altura que havia entre eles. Retirava do bolso um pequeno  lenço, entregando-o então à garota. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Conheço  um lugar que pode retirar todas as suas dúvidas, senhorita Beauronne.  Se este for realmente o seu desejo, ficarei feliz em acompanhá-la até  lá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Pode mesmo?&lt;/span&gt; - Ela pegava o lenço oferecido por ele um pouco sem jeito, vindo logo por enxugar as próprias lágrimas. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Que lugar...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Estarei lhe aguardando no mesmo lugar em que nos encontramos hoje, está bem? &lt;/span&gt;- Ele voltava a se levantar, sorrindo de maneira doce como se tentasse passar algum ânimo para a menina. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Pode escolher a hora que lhe for mais conveniente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Depois do almoço...&lt;/span&gt;  - May ficou um pouco surpresa consigo mesma, já que estava aceitando o  convite de alguém que ainda pouco conhecia. Porém, se fosse para cessar  com aquelas agonias noturnas e descobrir se sua avó havia de fato  morrido em meio ao desespero, achou que valeria a pena correr o risco. -  &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Obrigada, e boa noite senhor Ukraynn.&lt;/span&gt; - Ela retirou o sobretudo, entregando-o para o dono juntamente com o lenço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Pode me chamar apenas de Dnieper.&lt;/span&gt;  - Voltava com o lenço ao bolso, colocando então seu sobretudo enquanto  via a jovem pular o pequeno portão da casa, passando para o jardim.  Dava-lhe um aceno, agora também em despedida. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Até amanhã.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Até.&lt;/span&gt;  - May sorria um pouco sem graça, pulando também a janela de seu quarto.  Retribuiu ao aceno, passando a fechar o vidro até vir por chamar o nome  do homem. Queria lhe perguntar mais uma coisa. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Dnieper...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Sim?&lt;/span&gt; - Ele ainda se mantinha próximo ao portão da casa da jovem, voltando-se para ela ao ser chamado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Por que você às vezes corta as minhas perguntas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele  perdeu levemente o sorriso, como se aquela  pergunta tivesse sido  repentina demais para prever. Ficou calado durante alguns segundos,  talvez enrolando para lhe dar uma resposta. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Porque eu não posso mentir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;May  não compreendeu o que ele quis exatamente dizer, de modo que viesse por  ficar sem o que responder. Roubando-lhe a vez da pronuncia, Dnieper lhe  desejava um último "boa noite", voltando a acenar para a garota. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Boa noite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim  então se despediram. O homem se foi e a jovem fechou a janela, aliviada  por sua tia não ter descoberto sobre sua pequena fuga. Deitou-se na  cama, refletindo por um momento e revivendo os momentos que acabara de  passar junto àquela pessoa, e as palavras ditas por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava  um tanto aflita, e também curiosa sobre o encontro que teria logo ao  iniciar da tarde. Mas por todos os atos que o homem fizera até então,  May passou a crer que provavelmente ele fosse incapaz de lhe fazer  qualquer mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria até confiar nele, talvez tivesse encontrado  um verdadeiro amigo afinal. May se cobriu com o lençol, deitando com o  corpo de lado e assim fechando os olhos. Acabou adormecendo logo,  finalmente tendo um fim de noite de paz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8649930379859313991-3130115312707459485?l=fruitoflove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fruitoflove.blogspot.com/feeds/3130115312707459485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fruitoflove.blogspot.com/2010/12/capitulo-3.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8649930379859313991/posts/default/3130115312707459485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8649930379859313991/posts/default/3130115312707459485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fruitoflove.blogspot.com/2010/12/capitulo-3.html' title='Capítulo 3: Noite entre sonhos e pesadelos'/><author><name>Fuinha Gallowmere</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03300786190501774507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-CckYqr912H4/TmbGmmgr1RI/AAAAAAAAAJQ/dbamne1yNLs/s220/avatar17.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8649930379859313991.post-2982550424763588054</id><published>2010-11-24T12:30:00.000-08:00</published><updated>2010-12-18T15:20:40.738-08:00</updated><title type='text'>Capítulo 2: As sete badaladas do sino dourado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Os vitrais eram invadidos pelo último raiar do sol que falecia ao horizonte, iluminando parte do altar coberto por flores, seda e ouro. Ao teto, belas nuvens sem vida, detalhando o céu pintado em um azul esplendoroso, estatuetas de anjos presas a longos pilares. As portas do extenso local se encontravam entreabertas, e de longe já se era possível ouvir o coro de crianças que soava por entre tanta riqueza. Impossível era descrever tal sensação de misticismo, esperança, e de fé que envolvia os corações de cada um dos presentes naquela cerimônia. Todos permaneciam quietos, em bancos ordenados, e de joelhos quando as crianças vieram por se calar. Perpetuavam com o silêncio físico, mas suas crenças e louvores se propagavam por meio de pensamentos, a fala da alma. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Em uma das primeiras fileiras, encontrava-se uma jovem garota, de rosto bastante delicado, pele de um branco suave, levemente corada nas bochechas. Possuía longos cílios, tão negros como seus finos cabelos que lhe morriam na nuca. Seus lábios eram estreitos, avermelhados e também deprimidos. A garota de traços de boneca parecia ter no máximo quatorze anos. Mantinha os olhos fechados e a cabeça baixa junto às delicadas mãos que estavam encapadas por finas luvas brancas, entrelaçando seus próprios dedos uns nos outros. Usava um vestido também branco, que parecida ser feito de seda. Ele lhe cobria  as coxas  e moldava sua cintura, sendo sustentado pelo não generoso busto da jovem, deixando seus ombros nus. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Seus pés eram mantidos por um longo par de botas da mesma cor da vestimenta, que escondia aqueles joelhos machucados, que agora iam contra o suporte de madeira do banco a sua frente. Ela provavelmente possuía o maior pecado dentre todas as pessoas ali presentes, algo que a perseguia em cada passo, à espreita em cada sombra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Vagarosamente, todos iam abandonando suas preces, voltando a se sentar. A jovem fazia o mesmo, abrindo então seus olhos. Eram olhos cor de ouro, de um brilho intenso e penetrante. Sentava-se em seu lugar. Logo o coro se reiniciava, e o sino, este que agora passava a anunciar às dezenove horas. Uma primeira badalada, duas, três, as vozes das crianças pareciam sumir. O som produzido pelo sino se sobressaltava, ecoando no interior da mente da garota, trazendo-lhe a lembrança de seu grande pecado. Uma quarta badalada e via sangue tingir de rubro o chão frio de pedra, penas negras planavam com a brisa amena. Os olhos da garota se encontravam vidrados, perdidos no soar daquele sino e em uma visão eterna. Uma quinta balada, uma sexta abaixou a cabeça, desejando que aquilo passasse logo. Finalmente, a sétima badalada, tudo acabara. A voz do sino já havia se calado e sua visão também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Você está bem?&lt;/span&gt; - Perguntou um desconhecido sentado ao lado da jovem, fitando-a preocupado. Mas a jovem apenas ergueu a cabeça novemente, voltando com a atenção para o louvor das crianças, respondendo ao sujeito de maneira bem direta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Estou. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;O homem achou a garota bastante fria, e um tanto estranha também. Viu-a juntar as mãos sobre o colo, conservando o rosto de menina praticamente sem qualquer expressão.  A cor curiosa daqueles olhos dourados chamava muito a atenção. O sujeito também reparava que do outro lado da jovem não havia mais ninguém sentado. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Veio sozinha?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Recebendo mais uma resposta seca e nenhum único olhar, o homem imaginou que o inciar de uma conervsa seria do desagrado da garota. Respeitando-a então, também voltava a se distrair com as crianças, que pareciam cantar alegremente uma canção de esperança. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Passaram-se vários minutos até que o padre viesse por subir ao altar, passando a conduzir tal cerimônia com novos louvores. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Foi então que finalmente a jovem desviava um pouco o olhar, repousando-o sobre o homem que tinha ao lado, mesmo que de maneira discreta. Ele era louro, de rosto robusto e olhos de um azul intenso que se destacavam ainda mais pela pele bastante branca que possuía, além de combinarem perfeitamente com a coloração da gravata que ele usava. Estava muito bem vestido com um terno de tons escuros, o que lhe dava uma aparência séria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Bem próximo ao sujeito havia uma pasta de trabalho fechada, e sobre esta, três livros de capa negra e lisa, sem qualquer outro detalhe. A menina, desinteressada, voltava então com os olhos para o altar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Muitos minutos novamente se passavam, e a cerimônia por fim terminou com uma última reza. Na medida em que as pessoas iam finalizando com suas preces, levantavam-se e deixavam o local.  O mesmo acontecera com o louro, desencostando os joelhos de sobre o suporte de madeira do banco da frente, pegando seus materiais e se retirando com calma. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Já a garota ainda rezava de olhos mais uma vez fechados, distraída. Fora a última dentre todos os outros a terminar com suas orações, como de costume.  &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;A menina tinha  uma prece em especial para fazer ao seu senhor. Queria esquecer a  lembrança que sempre voltava para lhe atormentar, a lembrança das sete  badaladas de um sino dourado. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Tendo finalmente acabado, ela voltava a abrir os olhos, levantando-se enquanto ajeitava de leve as rendas do seu vestido. Eis que se deparava com um dos livros de capa negra que a pouco tempo havia visto ao lado do louro&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;. Estava jogado ao chão. Provavelmente, ao se retirar do local, o homem o tinha  deixado cair sem nem ao menos perceber. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;A jovem pegou &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;então &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;tal livro, conservando-o fechado já que não possuía o menor interesse em ver o que continha em seu interior, e assim se retirava do recinto. Seguindo pelo corredor da igreja logo avistava o louro vindo em sua direção bastante apressado. Imaginou que ele deveria ter se dado conta da perda. A menina então estendia o livro para ele, sem nada dizer. Pretendia lhe devolver o livro afinal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;O homem pareceu um tanto surpreso em um primeiro momento, mas logo sorriu, aliviado. Pegava o próprio livro com bastante cuidado, passando a segurá-lo junto com os demais. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Muito obrigado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;De nada.&lt;/span&gt; - Um tanto indiferente a jovem voltava a caminhar, passando pelo sujeito pretendendo mais nada dizer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Oh não, de maneira alguma!&lt;/span&gt; - Ele foi até ela, cortando-lhe a frente. Não pretendia deixá-la ir sem antes poder realmente agradecer. Retirou de um dos bolsos interno do paletó um pequeno cartão, entregando-o a jovem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Ela pegou aquele pedaço de papel com um olhar mais uma vez desinteressado, mas logo passou a analisá-lo, tendo a atenção voltada para os desenhos decorativos que ali havia. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;O que está escrito?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;O louro realmente não esperava tal pergunta, o que lhe fazia deduzir que garota não sabia ler. Mesmo intrigado, achou indelicado perguntar algo sobre.&lt;/span&gt; - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;“Lawrence  Austell, psicólogo”. E este aí embaixo é o número do meu telefone. Pode  me ligar caso precisar de algo, quero poder te retribuir pelo favor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Você não precisa me retribuir por nada.&lt;/span&gt; - A menina entregou o cartão de volta, já que o mesmo não lhe seria muito útil. Além disso, não havia devolvido o livro para o dono esperando algo em troca. Recomeçou com os próprios passos, ultrapassando o homem mais uma vez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;Lawrence pegou seu cartão de volta diante a recusa da garota, mas ainda se demonstrava muito grato a ela, já que aquele livro lhe era de fato muito precioso. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Qual o seu nome?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;A garota parou de andar novamente por um breve momento, virando-se para trás enquanto vinha por encarar o homem. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Me chamo Sozh... Sozh Ukraynn.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;O homem voltou a sorrir para ela, assim decidindo se despedir e não insistir mais, já que poderia desagradar a menina mais do que aparentemente já tinha. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Então, prazer em conhecê-la Lady Ukraynn. Cuide-se e até a próxima. &lt;/span&gt;- Ele mesmo passou a se afastar, dando um último cumprimento enquanto seguia pela direção oposta da dela. A jovem também voltava a seu caminho, prosseguindo com seus passos em direção a saída da igreja.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Por você ter me visto... talvez nem haja uma próxima vez. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;- Falava já longe do homem, deixando escapar um leve suspiro. Havia pensado alto, afinal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8649930379859313991-2982550424763588054?l=fruitoflove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fruitoflove.blogspot.com/feeds/2982550424763588054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fruitoflove.blogspot.com/2010/11/capitulo-2-as-sete-badaladas-do-sino.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8649930379859313991/posts/default/2982550424763588054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8649930379859313991/posts/default/2982550424763588054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fruitoflove.blogspot.com/2010/11/capitulo-2-as-sete-badaladas-do-sino.html' title='Capítulo 2: As sete badaladas do sino dourado'/><author><name>Fuinha Gallowmere</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03300786190501774507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-CckYqr912H4/TmbGmmgr1RI/AAAAAAAAAJQ/dbamne1yNLs/s220/avatar17.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8649930379859313991.post-1942295819253708788</id><published>2010-11-23T17:15:00.002-08:00</published><updated>2011-09-06T19:10:38.799-07:00</updated><title type='text'>Capítulo 1: Cantar de um anjo no dia do enterro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O caixão ainda aberto conservava dentro de si mais uma vítima do passar do tempo. Uma velha senhora mergulhada em flores brancas e alaranjadas, que possuía os anos expressos em cada traço de seu rosto. Pessoas vestidas de preto a rodeavam, distraídas em um coro de conversas aleatórias sem qualquer relação com aquela a quem deveriam prestar homenagem.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; Mas uma pessoa em particular não parecia querer se deixar levar pelo entretenimento dos diversos assuntos que ali surgiam. Estava sentada sobre um dos bancos gélidos da sala, cabisbaixa, tendo os cabelos louros e lisos lhe ocultando a face, como se tentasse esconder o fluxo de lágrimas que insistiam em deslizar por seu rosto, caindo aos pingos sobre o colo da jovem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Sua vestimenta era da cor tradicional para a ocasião. Um vestido negro sem muitos detalhes lhe cobria até as canelas, e os pés eram envolvidos por um par de sapatilhas de um tom cinza claro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Segurava um pequeno lenço branco, este que possuía um delicado bordado em forma de pássaro. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Por vezes, a garota o levava até o rosto molhado em tentativas fúteis de secar o choro. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Aquele lenço era um presente muito especial, já que a feitora de seu bordado estava agora ao interior de tal caixão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O padre chegou, cessado com o ritmo de conversas por um breve momento. Todos se levantavam, dando as mãos para fazerem uma pequena prece, enquanto as lágrimas continuavam transbordando dos olhos castanhos da garota. Os outros já tinham desistido de consolá-la, embora ninguém havia sido muito insistente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Que aquela alma de luz pudesse descansar em paz no paraíso, deixando saudades para aqueles que ficaram.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Terminada a oração costumeira do padre, o caixão fora finalmente lacrado. A jovem lançou um último olhar para o rosto de sua avó, já que depois de tal instante, só poderia revê-lo em lembranças.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Alguns homens pegaram o caixão, levando-o para fora da sala enquanto eram seguidos pelos demais. A menina ainda derramava suas lágrimas mesmo sabendo que um choro não fosse capaz de ressuscitar alguém.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Percorreram um longo caminho por entre as lápides dos mais antigos hóspedes do cemitério, até chegarem a uma cova já a espera para engolir seu novo caixão. Desceram-no com cuidado e os coveiros passavam a cobri-lo com terra. Algumas pessoas ainda se conservavam em silêncio, enquanto outras insistiam em conversar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A garota estava ali fisicamente, mas em pensamento estava muito longe, no passado, lembrando-se das tardes de sábado que passava com sua avó materna, ocasiões que sempre terminavam com um delicioso bolo de cenoura, e das boas histórias antigas que ouvia antes de ir dormir. Mas também se lembrava de alguns dias anteriores a aquele do presente momento, quando sua avó já estava desacordada sobre a cama do hospital, sem grandes chances de abrir os olhos novamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A agonia de se perder alguém tão querido era algo indescritível, de modo que apenas aquela jovem de quinze anos soubesse o quanto seu coração já sufocava em saudades.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O vento parecia receoso, vinha oscilante, apreensivo, gélido, como se  estivesse se deixando contagiar pelos  sentimentos da menina. Ele fazia com que os compridos cabelos dela se agitassem, e trazia também consigo uma pequena surpresa: uma voz doce, serena, de ressonância perfeita e que, de repente, parecia acalmar o vento de seus medos, este que agora passava a ser uma amena brisa, dançava. Era um homem cantarolando, palavras que tomavam forma em outra língua, aparentemente francês.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Como o vento, a jovem também parecia ser tranquilizada por aquela voz, e de alguma maneira, sentia-se consolada por palavras que nem ao menos sabia o significado. Na verdade, era aquela voz que lhe hipnotizava, que preenchia os espaços vazios deixados pela agonia da perda. A brisa também se demonstrava mais generosa, trazendo calor. Todos estavam em perfeita harmonia: a brisa, o coração pulsante da menina, a voz do rapaz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Foi movida por uma curiosidade instintiva, afastando-se lentamente daquelas pessoas vestidas de negro. Estar ali não faria a menor diferença. Era então que se deixava guiar por aquele cantar, sentindo-o ficar cada vez mais intenso à medida que se aproximava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Deparou-se então com um anjo, de asas tão grandes que ocultava parte da luz do sol. Eram asas de pedra, de uma estátua em forma de ser celestial. Encostado a ela se mantinha um homem de sobretudo preto, estava sorrindo e conservava os olhos fechados, enquanto sentia a própria voz soar por entre os lábios pálidos. Seus longos cabelos negros estavam presos por uma fina fita vermelha e acompanhavam a brisa amena, deixando apenas algumas madeixas soltas lhe caindo levemente sobre a face. Era um sujeito muito alto e de rosto afinado. Seu delicado nariz sustentava um pequeno óculos, de lentes redondas e sem hastes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A jovem estava envolvida demais com tal melodia para recuar. Apenas permaneceu ali, parada durante os instantes seguintes em que o homem terminava sua canção. Veio o silêncio, e a garota pareceu despertar finalmente de seu transe, sentindo um arrepio lhe percorrer a espinha. O rapaz então abriu os olhos, dourados como ouro e cintilantes como uma estrela, repousando-os de imediato sobre a garota que se mantinha a poucos metros de distância. Veio por sorrir ainda mais, sem demonstrar qualquer surpresa por não estar mais sozinho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A menina corou rapidamente, já que não possuía uma justificativa plausível para estar ali o observando, além da única que lhe era realmente verdadeira. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Achei sua canção linda.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O homem inclinou a cabeça levemente para o lado, dirigindo-lhe agora um olhar bastante gentil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Muito obrigado, senhorita.&lt;/span&gt; - Ele se desencostou da grande estátua, vindo por se curvar diante à garota em um cumprimento cordial. Falava sempre de maneira calma e educada. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;A propósito, prazer em conhecê-la, meu nome é Dnieper Ukraynn.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Era uma garota evidentemente tímida, evitando olhar diretamente para aqueles olhos brilhantes do homem, assim, fitava apenas o chão. - &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Igualmente, me chamo May Beauronne.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O homem voltava para perto da estátua, cruzando os braços enquanto observava a jovem por um breve momento. Passados consideráveis segundos de análise, voltava a se pronunciar da mesma maneira anterior. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Quanto à pessoa que você perdeu... tenho certeza de que ela está em um lugar bem bonito agora.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;May, como se chamava a menina, erguia a cabeça com um olhar de surpresa. Por um pequeno instante, havia se esquecido de todo aquele sentimento angustiante do luto. Estranhamente, pôde se sentir mais leve, e se dar conta que sua própria vida não terminava junto com a do ente falecido. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Como você...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Seus olhos estão bem vermelhos.&lt;/span&gt; - O rapaz interrompia a pergunta dela já com a resposta, mantendo o sorriso gentil ainda moldado por entre os lábios.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Obrigada... também tenho certeza de que ela está em um lugar muito bonito.&lt;/span&gt; - Pela primeira vez em dias, a jovem dava um sorriso, mesmo que amenizado, era doce e verdadeiro. Foi então que ouvira seu próprio nome sendo pronunciado ao longe. Provavelmente o enterro já havia terminado, o que significa hora de partir. Era sua tia chamando, a tutora de May, uma mulher impaciente e sem muita sensibilidade. Deixá-la esperando era um grande problema, sumir sem avisá-la era um pior ainda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Cuide-se, senhorita.&lt;/span&gt; - O homem a cumprimentou novamente, desta vez em despedida. Ela retribuiu, desejando, quem sabe em algum outro dia, poder reencontrá-lo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Foi se afastando, dando um último aceno tímido para o sujeito. Quis retribuir a simpatia dele, além de se sentir agradecida, já que com tão pouco o tal Dnieper fora capaz de curar pelo menos parte de sua tristeza. Longe da vista do homem, May então se colocou a correr, alcançando a tia que já conservava um olhar de reprovação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Despediram-se então dos demais que assistiram ao enterro, entrando no carro e assim partindo rumo à residência em que ambas moravam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;O que foi fazer sozinha no meio de um cemitério?&lt;/span&gt; - Indagava a tia um tanto frustrada, ao volante, mesmo que não lançasse mais qualquer olhar à sobrinha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Fui cumprimentar o homem que cantava aquela bela canção, não muito longe de onde estávamos.&lt;/span&gt; - May observava a paisagem que corria através do vidro do carro, tentando relembrar como era aquela melodia tão encantadora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Pare de brincadeiras, menina!&lt;/span&gt; - A tia pareceu ficar ainda mais irritada. - &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-style: italic;"&gt;Eu não ouvi canção alguma.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8649930379859313991-1942295819253708788?l=fruitoflove.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fruitoflove.blogspot.com/feeds/1942295819253708788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fruitoflove.blogspot.com/2010/11/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x_6559.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8649930379859313991/posts/default/1942295819253708788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8649930379859313991/posts/default/1942295819253708788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fruitoflove.blogspot.com/2010/11/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x_6559.html' title='Capítulo 1: Cantar de um anjo no dia do enterro'/><author><name>Fuinha Gallowmere</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03300786190501774507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-CckYqr912H4/TmbGmmgr1RI/AAAAAAAAAJQ/dbamne1yNLs/s220/avatar17.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
